Vereadores independentes criticam contradições de discurso no Dia da Cidade do Funchal
Os vereadores independentes na Câmara Municipal do Funchal, Luís Filipe Santos e Jorge Afonso Freitas, emitiram um comunicado à imprensa questionando a coerência entre o discurso de internacionalização da cidade e a estratégia de crescimento turístico prosseguida pelos executivos regional e municipal. A posição surge a propósito das celebrações do Dia da Cidade do Funchal e das declarações do secretário regional do Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, e do presidente da autarquia, Jorge Carvalho.
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Para os vereadores independentes, a defesa de um Funchal cosmopolita e aberto ao mundo não pode ser confundida com a submissão ao turismo de massas nem com o aumento contínuo de visitantes, sem atender à capacidade de carga do território. "A discussão sobre o futuro da cidade não pode ficar reduzida à ideia de que mais turismo significa necessariamente mais desenvolvimento", sustentam.
Os vereadores destacam uma contradição entre a intenção anunciada pelo autarca Jorge Carvalho de aumentar a taxa turística (conforme noticia o DIÁRIO hoje em manchete na edição impressa) e o reconhecimento explícito de que a pressão turística já afecta gravemente áreas como a habitação, a mobilidade, a limpeza urbana e os serviços municipais. Segundo Luís Filipe Santos e Jorge Afonso Freitas, a taxa turística "não pode ser a resposta para todos os problemas" nem servir apenas para financiar, a posteriori, os custos do impacto do turismo.
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"Não existe qualquer contradição entre defender uma cidade aberta ao mundo e defender limites e critérios para a actividade turística", defendem os vereadores, insistindo que o Funchal deve apostar num modelo assente na qualidade, no valor acrescentado e na diversificação económica, mantendo a qualidade de vida dos residentes e o direito à habitação no centro das políticas municipais.
Face ao cenário actual, pedem a Eduardo Jesus e a Jorge Carvalho que clarifiquem publicamente qual é o limite para o crescimento turístico na cidade e de que forma concreta se pretende diferenciar o turismo de qualidade do crescimento desenfreado da procura.