"O Funchal está a tornar-se uma cidade proibida"
Carmo Gomes critica habitação e insegurança
O Funchal "está a transformar-se numa cidade proibida para a sua própria gente", afirmou hoje Carmo Gomes, deputada municipal do CH, na sessão solene do Dia da Cidade, defendendo medidas para garantir habitação, segurança e melhores condições de vida aos funchalenses.
"Uma cidade mede-se pela dignidade com que trata as suas famílias, pela segurança das suas ruas e pela capacidade de dar um futuro aos seus filhos na terra onde nasceram", afirmou.
A deputada do CH dirigiu particular atenção à habitação e aos jovens, questionando "como é que vou conseguir comprar ou arrendar uma casa aqui?" e "como é que vou criar a minha família na minha cidade?".
Defendeu que a Câmara deve adoptar uma política de habitação "focada na classe média e nos jovens casais", criticando um cenário em que os funchalenses são "empurrados para fora do seu concelho".
Carmo Gomes reclamou também a redução dos impostos municipais "ao valor mínimo", de forma a aliviar os encargos das famílias, e defendeu que a Câmara utilize a sua capacidade financeira em medidas com impacto directo na população.
A segurança foi outra das prioridades apontadas. "Não podemos fechar os olhos ao sentimento de insegurança que cresce em várias zonas da cidade", afirmou, defendendo um Funchal onde "os nossos idosos passeiem sem receio" e "as crianças brinquem e caminhem na rua com tranquilidade".
A deputada municipal criticou ainda as diferenças entre a baixa e as zonas altas da cidade, apontando freguesias como São Roque, Santo António, São Gonçalo, Monte e Santa Luzia como territórios onde considera faltar investimento básico, segurança e apoio efectivo a quem mais precisa.
"Nós recusamo-nos a aceitar este Funchal a duas velocidades", declarou.
No final, Carmo Gomes afirmou que "o Funchal não é dos partidos, não é dos executivos de turno, nem é dos grandes grupos económicos. O Funchal é dos funchalenses".
A deputada do CH terminou com um apelo aos jovens: "Não nos conformamos e não vamos deixar que desistam da vossa terra", defendendo que o mérito deve valer "mais do que qualquer cunha ou cartão partidário".
"É tempo de devolver a cidade a quem nela vive, trabalha e ama verdadeiramente o Funchal", concluiu.