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Netanyahu avisa Turquia que não permitirá reforço militar na Síria

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O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, avisou hoje a Turquia que não vai permitir o aumento da presença militar turca na Síria, um dia depois de Israel bombardear uma base aérea no norte do país.

O chefe do Governo afirmou, numa entrevista à rádio do exército, que o ataque, na madrugada de terça-feira na região de Idlib, no noroeste da Síria, ocorreu depois de Ancara ter ignorado avisos sobre uma suposta expansão militar no país vizinho.

"A mensagem foi transmitida, mas aparentemente não a ouviram, por isso garantimos que a compreendiam melhor", declarou.

Netanyahu advertiu as autoridades turcas que não tolerará que a sua influência militar "se estenda para sul", o que seria visto como uma "ameaça" para Israel.

"Não façam isso", reforçou.

A Síria faz fronteira a norte com a Turquia e a sul com Israel, que mantém posições militares no país vizinho desde a queda do regime de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, e onde hoje esteve presente o comandante do exército israelita, Eyal Zamir.

Ancara tem prestado assistência militar às novas autoridades de Damasco e o ataque israelita contra a base de Abu Duhur, que provocou danos mas não vítimas, ocorreu um dia depois de uma visita de uma delegação turca, segundo fontes das autoridades sírias citadas pela agência norte-americana Associated Press (AP).

O gabinete do primeiro-ministro israelita alegou em comunicado que a Síria estava "à beira de violar" o 'status quo' em matéria de segurança previamente acordado, ao permitir o destacamento de tropas turcas no local.

As autoridades turcas e sírias não comentaram publicamente o papel da Turquia naquela área, mas condenaram o ataque israelita, bem como Tom Barrack, embaixador norte-americano em Ancara e também enviado especial para a Síria e outros países árabes.

Embora sem apontar a alegada presença de uma delegação militar no país vizinho, a Turquia acusou Netanyahu de fazer "alegações insustentáveis" e procurar "legitimar os ataques aéreos ilegais contra a soberania e a integridade territorial da Síria", bem como promover "políticas expansionistas e desestabilizadoras na região antes das eleições em Israel", previstas para o final de outubro.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Síria afirmou, pelo seu lado, em comunicado que as ações israelitas constituem uma "perigosa escalada da violência" e "colocam em risco a segurança e a estabilidade" na região.

A Turquia tem apoiado os esforços da Síria para reconstruir as suas forças armadas, formando pessoal sírio nas escolas e bases turcas e fornecendo equipamento e apoio logístico.

Os dois países assinaram um acordo em 2025 que formalizou a sua cooperação militar e, no início deste ano, tropas sírias participaram em exercícios militares realizados na Turquia.

Autoridades de Ancara têm afirmado repetidamente que não separam a segurança da Síria da sua própria na Turquia.

No mesmo dia em que Netanyahu se referiu a uma eventual ameaça turca, o chefe do exército israelita avisou que não tolerará que "forças hostis estabeleçam uma posição" na fronteira síria, onde hoje discursou perante as suas tropas.

"Estamos a monitorizar a evolução da situação na fronteira síria. Não permitiremos que forças hostis estabeleçam uma posição nas nossas fronteiras e saberemos utilizar as nossas capacidades operacionais com precisão, onde e quando necessário", alertou Eyal Zamir, citado num comunicado do exército.

"Devemos impedir o desenvolvimento de ameaças terroristas, evitando ao mesmo tempo a criação de uma ameaça militar significativa nas nossas fronteiras", reforçou Zamir, sem especificar.

Durante a queda do regime sírio no final de 2024, Israel realizou centenas de bombardeamentos na Síria, com a justificação de impedir que o armamento das forças regulares de Damasco, na altura em desagregação, caíssem nas mãos de grupos hostis a Telavive, e ocupou posições militares no sul do país vizinho, que ainda mantém.

As novas autoridades sírias que emanaram da coligação rebelde são lideradas por Ahmad al-Sharaa, um antigo jihadista com passado ligado a organizações terroristas islâmicas, mas que cortou essas ligações antes de derrubar o regime de Damasco.

Desde a sua chegada ao poder, tem procurado normalizar as relações com os países vizinhos do mundo árabe e evitado hostilizar Israel, mesmo quando as tropas israelitas intervieram em apoio da minoria drusa, num dos graves episódios de violência sectária que abalaram a Síria nos últimos anos.

Apesar do alastramento do conflito de Israel e Estados Unidos contra o Irão, desde 28 de fevereiro, a quase todo o Médio Oriente, a Síria tem permanecido numa situação discreta, ao contrário do vizinho Líbano, onde o Hezbollah e as forças israelitas retomaram os confrontos em março.