DNOTICIAS.PT
Guerra no Irão Mundo

Trump recusa-se a confirmar apoio a Netanyahu em eleições israelitas

None
Foto EPA

O Presidente norte-americano, Donald Trump, continuou hoje a recusar o seu apoio ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, nas legislativas previstas para 27 de outubro, nas quais as sondagens colocam em risco a sua reeleição.

"Acho mais apropriado que me mantenha afastado das eleições israelitas", afirmou o líder da Casa Branca em declarações à estação Fox News reproduzidas pela imprensa de Israel, embora deixe em aberto a possibilidade de "apoiar alguém".

As palavras de Trump surgem no dia em que o Likud, partido de Netanyahu e maioritário no Governo de coligação com a extrema-direita, realizou primárias para a escolha das listas para o Knesset (parlamento), vistas como um teste ao líder israelita quando enfrenta contestação dentro da sua própria força política, nomeadamente dos partidários de uma linha mais centrista.

De acordo com o portal norte-americano Axios, as perspetivas de reeleição de Netanyahu foram discutidas com Trump, no encontro que ambos mantiveram no mês passado na Casa Branca em Washington, numa altura que o primeiro-ministro israelita lida com sondagens desfavoráveis.

Anteriormente muito próximos, a reunião dos dois lideres ocorreu num momento de tensão pública entre ambos sobre a condução das várias frentes de conflito no Médio Oriente.

Trump procura uma saída para a guerra que lançou com Netanyahu em 28 de fevereiro contra o Irão, que merece reservas do primeiro-ministro israelita, que por sua vez mantém tropas no sul do Líbano, na guerra contra o grupo xiita Hezbollah, aliado de Teerão, ameaçando os esforços de paz de Washington.

O chefe do Governo de Israel recusou entretanto o plano do Conselho da Paz para a Faixa de Gaza, apoiado pelos Estados Unidos e que tinha sido aceite pelo grupo islamita Hamas, que previa o desarmamento das milícias palestinianas e a retirada do exército israelita do território.

Já hoje, Netanyahu disse ter acordado com o Conselho da Paz a criação de um grupo de trabalho para supervisionar a desmilitarização da Faixa de Gaza, mas reiterou que só abandonará o enclave palestiniano quando esse processo estiver concluído.

O envolvimento de Israel nos esforços de diálogo dos Estados Unidos tem merecido a oposição dos grupos de extrema-direita aliados do Likud no Governo.

A maioria das sondagens em Israel coloca a força política do primeiro-ministro empatada ou logo atrás do seu principal adversário, o partido centrista Yashar, fundado em 2025 e presidido pelo antigo chefe das forças armadas Gadi Eisenkot.

Os estudos de opinião indicam porém que nenhum dos dois líderes, nem dos blocos pró-governo ou de oposição, consegue uma maioria dos 120 lugares em disputa no Knesset, embora o Yashar surja em melhores condições para formar governo.

A coligação B'Yachad (Juntos), criada este ano pelos antigos primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, atual líder da oposição, aparece em terceiro lugar e no quarto figura o Yisrael Beytenu (Israel é a Nossa Casa), partido nacionalista, de direita e secular, liderado pelo deputado Avigdor Liberman, mas ambos seguem longe do Likud e do Yashar.

Os Democratas, partido social-democrata sionista dirigido pelo antigo general Yair Golan, está colocado no quinto lugar nas sondagens e só depois surgem os partidos que têm estado próximos de Netanyahu.

Esta lista inclui os ultraortodoxos Shas e o Judaísmo Unido da Tora, bem como o Otzma Yehudit (Poder Judaico), do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, e o Sionismo Religioso, do ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, dois controversos ultranacionalistas em representação da extrema-direita no Governo.

Os partidos árabes obtêm cerca de uma dúzia de lugares nas intenções de voto, divididas entre o Ra'am (Lista Árabe Unida) e o Hadash-Ta'al.

Apesar das sondagens desfavoráveis para os partidos próximos do executivo, as principais forças de oposição têm demonstrado divergências sobre um eventual acordo que permita a formação de um governo maioritário.

O Likud é um dos poucos partidos israelitas que realizam primárias para escolher a lista de candidatos ao parlamento, juntamente com nove candidatos previamente selecionados por Netanyahu.

"Amanhã votarei nas primárias do Likud para uma lista vencedora que garanta que Eisenkot e Yair Golan não formarão um pequeno governo com os partidos árabes, como prometeram. Confio em vós, membros do Likud, para escolherem os vossos representantes corretamente, de acordo com o vosso julgamento", comentou Netanyahu no domingo à noite na rede social X.

Segundo o jornal Haaretz, esperava-se que votassem cerca de 140 mil membros do Likud, embora a participação nas anteriores primárias do partido, realizadas em 2022, tenha sido inferior a 60%.

Segundo os primeiros relatos não oficiais na imprensa israelita após o fecho das urnas, a participação neste ano foi ainda mais baixa.

Os membros do Likud escolhem 12 candidatos para a lista nacional e um para a lista distrital.

Os lugares distritais começam no número 27, tornando improvável a entrada destes candidatos no Knesset, dado que as sondagens preveem que o Likud fique abaixo desta fasquia.

À luz das projeções, cerca de uma dezena de candidatos podem não ser eleitos, em comparação com as legislativas de 2022, quando o partido colocou 32 deputados.

A posição de Netanyahu não está contudo em risco durante estas primárias, dado que o líder do partido é escolhido num processo separado.

O atual primeiro-ministro israelita reserva-se ainda o direito de escolher quem ocupará outros oito cargos nas listas do partido Likud (3.º, 5.º, 9.º, 11.º, 15.º, 18.º, 26.º e 29.º), graças a uma decisão do Comité Central do partido que lhe concedeu maior influência.

Destes oito cargos, Netanyahu já designou quatro figuras que lhe são próximas: o atual ministro dos Negócios Estrangeiros, Gideon Saar, o ministro da Defesa, Israel Katz, o presidente do Comité Central do Likud, Haim Katz, e o empresário (e estreante na política) Oren Dobronsky.

Ao longo dos anos, Netanyahu aumentou o número de posições nas listas reservadas a seu critério: de duas em 2015 para cinco em 2022 e agora oito em 2026, segundo o Instituto da Democracia de Israel.