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Espanha reforça presença policial e militar em Ceuta

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Espanha anunciou hoje o reforço das equipas de polícia e de meios militares em Ceuta, cidade onde na semana passada entraram em 24 horas de forma irregular 72.000 pessoas oriundas de Marrocos.

Segundo o Ministério da Administração Interna de Espanha chegarão a Ceuta nas próximas horas mais duas equipas da Unidade de Intervenção Policial (UIP), conhecida como a polícia anti-distúrbios.

Será um reforço de 45 elementos da Polícia Nacional de Espanha em Ceuta, enclave espanhol no norte de África.

Espanha enviou militares para as ruas de Ceuta após a entrada em massa de pessoas na quinta-feira da semana passada, dia 30 de julho, e reforçou a presença policial na cidade, tanto com unidades da Polícia Nacional como da Guarda Civil.

Passou a haver na cidade 225 efetivos só da Polícia Nacional, sobretudo elementos anti-distúrbios enviados de outras cidades do país.

Quanto à Guarda Civil, foram enviados mais 160 elementos para Ceuta na última semana.

Ao nível das Forças Armadas, há já na cidade 2.000 militares e as autoridades revelaram hoje que houve um reforço com duas fragatas da Marinha, uma que já chegou a Ceuta na segunda-feira e outra que está no enclave desde quinta-feira.

Estes reforços coincidem com a divulgação nas redes sociais em Marrocos de mensagens que apelam a nova entrada em massa em Ceuta em 15 de agosto.

As autoridades espanholas estão a analisar com cautela essas mensagens que têm circulado nos últimos dias, disseram na quinta-feira fontes policiais citadas pela agência noticiosa espanhola EFE.

Redes sociais como o Facebook, o Instagram ou o TikTok voltaram a encher-se de mensagens como "15/08" ou "al-hajma" (a ofensiva, a investida), tendo a localidade de Fnideq, na fronteira com Ceuta, como ponto de partida.

Segundo fontes policiais citadas pela EFE, as forças de segurança de Espanha acompanham há dias este fenómeno e analisam as mensagens com muita precaução.

 As mesmas fontes disseram que a origem dessas mensagens poderá ultrapassar as fronteiras de Espanha e de Marrocos, não se descartando que a origem esteja noutros países e que, inclusive, o número de seguidores ou "gostos" tenha sido manipulado.

   Apesar disso, o dispositivo policial mobilizado em Ceuta vai manter-se nos próximos dias, afirmaram as fontes dos serviços de segurança espanhóis à EFE na quinta-feira, sabendo-se hoje que será reforçado.

As mesmas fontes disseram inclinar-se mais para outro episódio de desinformação do que para uma possibilidade real de que haja uma nova tentativa de entrada em massa em Ceuta.

O delegado do Governo de Espanha em Ceuta, Miguel Ángel Pérez, confirmou na quinta-feira que o executivo acompanha de perto as mensagens divulgadas nas redes sociais que apelam a uma nova tentativa de entrada na cidade no próximo dia 15 de agosto e garantiu que já se está a trabalhar para responder a essa eventualidade.

Cerca de 72.000 migrantes entraram em 24 horas em Ceuta, na semana passada, e 70.000 já regressaram a Marrocos, segundo dados atualizados de Madrid.

Ceuta, um pequeno território de cerca de 83.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos e banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, a par de outro enclave espanhol, a cidade de Melilla.