Visita do Bispo D. Nuno Brás à Venezuela

A visita de Sua Excelência Reverendíssima o Senhor Bispo D. Nuno Brás à Venezuela teve, para nós, um significado muito especial, sobretudo no contexto que estamos a viver desde o terramoto de 24 de junho, um acontecimento que mudou profundamente a vida de muitas famílias e deixou marcas que ainda estamos a tentar superar.

Sabemos da ligação histórica, afetiva e humana que existe entre a Madeira e a Venezuela. Quando o Senhor Bispo tomou conhecimento do que tinha acontecido, não ficou indiferente. Mobilizou a comunidade madeirense e os seus fiéis para uma colaboração que chegou à Venezuela através da Cáritas. Foi um gesto muito importante e que recebemos com profunda gratidão.

Mas sentimos que, para o Senhor Bispo, a solidariedade não podia ficar apenas na ajuda material. Ele quis vir pessoalmente, estar aqui, conhecer a nossa realidade, escutar as pessoas e acompanhar de perto aquilo que estamos a viver.

Ontem, durante a Missa pelas almas daqueles que partiram, sentimos isso de uma forma muito forte. Foram muitos os abraços de conforto, as palavras de esperança e o carinho que o Senhor Bispo transmitiu às famílias e à comunidade. Num momento em que tantas pessoas ainda vivem com dor, medo e incerteza, a sua presença teve um significado muito profundo.

O Senhor Bispo também quis conhecer o trabalho que temos desenvolvido no terreno desde o primeiro momento da emergência. Explicámos-lhe como nos mobilizámos, como procurámos chegar às famílias mais vulneráveis e como temos continuado esse acompanhamento depois da fase inicial da emergência.

Foi muito bonito ouvir o seu reconhecimento e as suas palavras de apreço pelo trabalho que estamos a realizar. Mais do que um elogio, sentimos nas suas palavras um incentivo para continuar.

E houve também um compromisso muito bonito: o de continuar a rezar por este povo, pelas famílias que perderam tanto e por todos aqueles que agora têm pela frente o difícil caminho da reconstrução.

A Venezuela precisa de reconstruir casas, mas precisa também de reconstruir vidas, confiança e esperança. E, neste caminho, sentir que não estamos sozinhos, que a Madeira está connosco e que a Igreja está próxima, tem um valor que vai muito além de qualquer ajuda material.

Para nós, a visita do Senhor Bispo foi precisamente isso: uma presença que conforta, uma palavra que anima e um gesto de proximidade que nos dá força para continuar.

Lucecita Rodrigues