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Notícias agosto

Ao longo deste verão lembrei-me várias vezes da secção satírica “Las buenas notícias” da argentina Pop Radio 101.5. A nossa “silly season” regional foi recheada com comunicados a página inteira das secretarias regionais que, ao contrário da boa prática (nomeadamente, nacional), nunca incluem contexto contraditório, seja da oposição, seja de organizações da sociedade civil. Apesar disso, aqui e ali, lá se soube mais alguma coisa.

O preço dos combustíveis acompanhou as oscilações nacionais, demonstrando que a diferença face ao continente é de 7 dias e não de 10 cêntimos. Fruto dessas oscilações, houve mais uma semana em que os preços foram os mesmos na Madeira e no continente, com o prejuízo de não termos aqui os postos de marca branca.

Em julho a inflação homóloga na Madeira foi de 4,7%, muito acima dos 3,0% nacionais e ainda mais do objetivo de 2% dos bancos centrais. Persistentemente, há 3 anos que sofremos a inflação mais alta do país.

Os salários reais retrocederam -0,3% na Madeira, ao contrário do avanço de +1,8% no resto do país.

O Funchal tem o maior esforço financeiro do país para comprar casa: 115%, superior a Lisboa (99%) e ao Porto (82%), muito acima dos 33% recomendados. No arrendamento, a taxa de esforço chega aos 99%, ou seja, alcança a quase totalidade do rendimento familiar.

O agravamento dos custos da habitação (subida de 19,6% num ano) é ainda mais expressivo quando sabemos que a mesma não é incluída no cálculo da inflação*. Pelo que o brutal aumento de custos com a aquisição de habitação acresce ao que sabemos da inflação, contribuindo para o esmagamento do poder de compra.

Todas estas notícias demonstram que em termos de custo de vida não estamos a convergir, mas a divergir.

Ora, governar é reconhecer os constrangimentos na economia e sociedade, propondo consensos e soluções. Em vez disso, tem-se mantido o governo de oposição do PPD-Madeira. Em primeiro lugar oposição ao país, alicerçando-se na narrativa do inimigo e da culpa externa. Oposição também à realidade, com páginas inteiras de propaganda, acompanhadas da menorização dos problemas que são reais e persistentes (mal, como se viu na queda de pedras sobre viaturas no Seixal e na inação perante a crescente sinistralidade rodoviária). Oposição à oposição, de que é exemplo a declaração de Albuquerque no comício do Porto Santo, preferindo o achincalhamento ao debate construtivo. Oposição assente em desfaçatez e pirataria política, tomando como suas medidas que criticou à oposição, que tinha apoucado e classificado de propostas irrealistas, seguindo-se a aplicação atabalhoada, como se vê no controlo dos percursos pedestres, nas taxas turísticas, ou nas restrições ao Alojamento Local. Recordo ainda como o PSD nos “xingou” na Assembleia, quando apontamos que faltavam 50 milhões ao SESARAM e agora, em pequeno quadro, o governo anuncia que lá vão colocar esse valor.

Houve também outra notícia neste agosto: o PS-Madeira foi o partido com mais atividade na nossa Assembleia Legislativa. Não foi atividade “celebratória” baseada em “votos de”, nem atividade de oposição por oposição, que tudo acusa e tudo chumba (o partido que mais votou contra foi o PPD-Madeira). O PS-Madeira fez atividade parlamentar legislativa, propositiva e positiva, ligada à situação real em que vivem os madeirenses, no custo de vida, na saúde, na inclusão, na mobilidade, na sinistralidade, nas diversas áreas da economia. Acrescento mais uma notícia: este desígnio é para cumprir, garantindo aos madeirenses que podem contar, de facto, com alternativa de governo.

*a aquisição de habitação é tida como investimento em capital, os juros bancários são classificados como transações financeiras e por isso não contam para o índice de preços.