Povo que lavaste no rio
Que por remotas paragens
Marcaste a nossa presença,
Que por lá deixaste imagens
Pra assegurar a pertença
Andas agora, coitado,
À procura do teu fado,
Em terra firme encalhado,
Por seres mal governado
Não tens faro para escolhas
E já não tens caravelas,
Dás agora ao mundo rolhas,
Sofres de perenes mazelas
Vives de falsas promessas
E não exiges justiça,
Confias na Fé que professas,
Receias entrar na liça
De ousado aventureiro
Passaste a vil resignado,
Vergas-te ao poder rafeiro,
Encolhes-te e és enganado.
Asdrúbal J. C. Vieira