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Guerra no Irão Mundo

Portugal e mais 31 países condenam execuções de manifestantes por Teerão

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Foto EPA

Portugal, a União Europeia e mais 31 países condenaram hoje as execuções de manifestantes no Irão, apelando ao regime de Teerão para que "cesse imediatamente" de recorrer à pena de morte e respeite o direito à liberdade de expressão.

"O recurso à pena capital para silenciar a dissidência, intimidar as comunidades e punir pessoas que exercem os seus direitos humanos nunca pode ser justificado. O povo do Irão deve ser livre de exercer o seu direito à liberdade de expressão e de reunião pacífica sem receio", defenderam os signatários numa declaração conjunta hoje divulgada.

Na declaração, os 32 países "condenam nos termos mais veementes as execuções em curso de manifestantes e o recurso à pena de morte pela República Islâmica do Irão".

"Apelamos ao Irão para que cesse imediatamente de recorrer à pena de morte e liberte todas as pessoas detidas arbitrariamente", prosseguiram no mesmo documento.

Os signatários instaram ainda Teerão "a escutar a voz do seu povo, que exige mudança" e "a tomar medidas concretas para assegurar o respeito pelos direitos humanos".

Além de Portugal e da União Europeia (UE), esta declaração foi igualmente assinada pela Albânia, Áustria, Austrália, Bélgica, Canadá, Croácia, Chipre, República Checa, Dinamarca, Estónia, Finlândia, França, Alemanha, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Montenegro, Países Baixos, Nova Zelândia, Macedónia do Norte, Noruega, Roménia, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Suécia e Reino Unido.

Na semana passada, a ONU declarou-se alarmada com o aumento das execuções no Irão, onde pelo menos 56 pessoas foram mortas por motivos de segurança nacional desde os primeiros enforcamentos ligados aos protestos que foram registados no país ainda no final de 2025 e que prosseguiram durante as primeiras semanas de 2026.

As penas de morte no Irão aumentaram sobretudo desde o início da guerra em curso na região, que começou a 28 de fevereiro com uma ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica.

Muitos dos executados tinham sido condenados pela sua participação nos protestos contra o custo de vida, que acabaram por representar o maior desafio ao regime desde a Revolução Islâmica de 1979 e levaram a uma das repressões governamentais mais violentas da história moderna do país.

O Governo reconheceu mais de 3.000 mortes, atribuindo a violência a "atos terroristas" orquestrados pelos Estados Unidos e por Israel, mas as organizações não-governamentais (ONG) sediadas no estrangeiro afirmam que a repressão resultou em muitos milhares de mortes.