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Estudo mostra que Portugal 'desperdiça' patentes de biotecnologia azul

Foto DR/B2E CoLAB
Foto DR/B2E CoLAB

Um estudo levado a cabo pelo B2E CoLAB mapeou as patentes portuguesas no setor da bioeconomia azul entre 2004 e 2024, revelando que o conhecimento não é convertido "em valor económico".

"Temos ideias, temos conceitos, temos capacidade de desenvolver ciência, capacidade de a proteger por direitos de propriedade industrial, por patentes, mas depois ficamos aquém a nível da transferência para o mercado, e por vários motivos", explicou à Lusa Marta Santos, do B2E - Blue Bioeconomy CoLAB.

O estudo é, no fundo, o "primeiro mapeamento sistemático" das patentes portuguesas em duas décadas, abrangendo 1.985 pedidos, dos quais 239 foram considerados relevantes, consolidadas em 69 famílias de patentes.

Se até 2014 a atividade era esporádica, acelera a partir daí e, em 2023, atinge o valor mais elevado, ainda que os números se tornem mais graves ao avaliar o 'aproveitamento' que têm depois no mercado ou no setor empresarial: destas tecnologias, 94% nunca ultrapassou a fase de validação laboral.

Isto significa que só uma pequena parte - 6% - "chegou perto de demonstração operacional", tendo esta maturidade sido medida pela escala TRL, que mede o nível de desenvolvimento de uma dada tecnologia, do conceito inicial à aplicação comercial plena.

Olhando para a escala de 01 a 09, 81% está a meio, o que o B2E chama "um vale da morte estrutural entre a bancada laboratorial e o mercado".

"Os nossos conceitos ficam apenas pela validação. São validados em laboratório, mas depois não são demonstrados num ambiente operacional, industrial. Ficamos com as ideias num nível que não parece permitir uma transferência tão efetiva para o mercado", lamentou a investigadora.

Marta Santos elencou como prioridades a disponibilização de infraestruturas partilhadas entre a investigação e entidades, públicas ou privadas, que possam escalar aquela tecnologia, mas também a resolução de processos regulamentares e de licenciamento morosos.

Os financiamentos existentes no país "não são adequados" para esse trabalho de escala, denunciou, e pediu um esforço ao setor privado, que é responsável por 42% das patentes, ou seja, menos de metade, dominando a academia.

Aqui, lidera o eixo Universidade do Porto-CIIMAR, com 23 das 69 famílias de patentes analisadas a serem da sua responsabilidade, num 'top 5' que inclui ainda a Universidade do Minho com a A4TEC e o Instituto Politécnico de Leiria.

O setor dos recursos marinhos vivos representa, na Europa, mais de 209,4 mil milhões de euros em volume de negócios, segundo números do Blue Economy Report de 2025 da Comissão Europeia, e a biotecnologia azul faturou 942 milhões.

O B2E -- Blue Bioeconomy CoLAB é uma associação privada sem fins lucrativos que promove a transferência de conhecimento entre ciência, indústria e sociedade, com foco na valorização sustentável dos recursos marinhos.

Reunindo empresas, universidades e centros de investigação, o B2E CoLAB "atua como um motor de desenvolvimento económico e social, impulsionando soluções baseadas na ciência para responder aos desafios globais da sustentabilidade, circularidade e competitividade nas áreas da biotecnologia azul, aquacultura e recursos marinhos vivos".