Melim compara PS à TAP: “Prestam um péssimo serviço à Madeira”
Gonçalo Leite Velho diz que PSD é “um avião que não mexe”
O actual modelo de apoio às viagens dos residentes marcou o arranque da reunião plenária de hoje
A mobilidade aérea marcou, hoje, o período antes da ordem do dia da reunião plenária da Assembleia Legislativa da Madeira, com uma troca de acusações entre PSD e PS sobre o actual modelo de apoio às viagens dos residentes.
O deputado social-democrata Bruno Melim considerou que as alterações introduzidas no modelo de mobilidade se traduziram num “insucesso”, argumentando que os preços das viagens aumentaram em vez de beneficiarem os madeirenses. “O tempo deu razão a quem alerta”, afirmou, sustentando que o PSD já tinha advertido para os efeitos das mudanças. Na intervenção, criticou igualmente a TAP, afirmando que a companhia aérea tem “um historial de extorsão dos madeirenses”.
O parlamentar questionou ainda os resultados alcançados com o actual modelo, perguntando: “Os preços subiram ou não subiram? Os madeirenses viram a sua mobilidade facilitada ou dificultada?”. Bruno Melim acusou os deputados socialistas de contribuírem para o agravamento da situação da mobilidade aérea na Região, alegando que actuam “na ânsia de superar o PSD”. Num dos momentos mais acesos do debate, dirigiu-se à bancada do PS afirmando que “os senhores deputados são como a TAP, prestam um péssimo serviço à Madeira”.
Na resposta, o deputado do PS Gonçalo Leite Velho rejeitou as críticas e devolveu os ataques ao PSD. O socialista sustentou que os social-democratas não têm apresentado soluções para os problemas da mobilidade, recorrendo à metáfora de que o PSD é “um avião que não mexe”.
Também pelo PSD, o deputado Carlos Fernandes abordou a ligação às comunidades emigrantes, defendendo a necessidade de melhorar as acessibilidades aéreas para os madeirenses residentes no exterior. O social-democrata considerou que “a TAP tem tido muito pouca boa vontade com as nossas comunidades”, acusando a transportadora de não corresponder às necessidades de quem mantém ligações à Região.
Carlos Fernandes manifestou ainda preocupação com a situação da comunidade madeirense na Venezuela, na sequência das alterações anunciadas nas ligações aéreas para aquele país. O deputado alertou para a incerteza vivida por passageiros que já adquiriram bilhetes e aguardam esclarecimentos da transportadora, sublinhando que muitas pessoas continuam sem resposta relativamente aos voos anteriormente programados. O parlamentar defendeu igualmente que o Estado, enquanto accionista da TAP, deve assumir responsabilidades acrescidas na garantia das ligações consideradas estratégicas para as comunidades portuguesas no estrangeiro.
O tema da mobilidade aérea voltou, assim, a dominar o debate parlamentar, numa altura em que persistem divergências entre os partidos sobre o actual modelo de apoio às viagens dos residentes e estudantes da Região Autónoma da Madeira.
Ainda durante o período antes da ordem do dia, a deputada do Chega Manuela Gonçalves trouxe ao plenário os recentes casos de violência contra crianças que têm marcado a actualidade. A parlamentar responsabilizou o PS pela alegada “inversão de valores na nossa sociedade” e defendeu o agravamento das penas aplicadas aos autores deste tipo de crimes, considerando necessária uma resposta mais firme para proteger os menores.
Da ordem de trabalhos da reunião plenária de hoje, constam várias propostas de resolução, entre as quais: a a apresentada pelo JPP, recomenda ao Governo Regional a construção de bancadas no Campo de Futebol do Porto da Cruz; uma iniciativa do PS que propõe a implementação do Modelo de Apoio à Vida Independente (MAVI) para pessoas com deficiência ou incapacidade na Região Autónoma da Madeira e um projecto de resolução socialista que recomenda a criação de um plano regional de contingência para o abastecimento de combustíveis na Madeira.