Um número demolidor para o PS e motivador para a Madeira
Números são números e muitas das vezes estão distantes da realidade e do dia a dia das pessoas que têm outras preocupações de curto prazo. Contudo, são importantes e, tal como o algodão, não enganam.
E foi o que aconteceu recentemente quando assistimos à divulgação pelo INE (Instituto Nacional de Estatística) da revisão da estimativa da população residente no País entre 2021 e 2024 e que veio desmontar a narrativa construída durante os oito anos do governo PS de António Costa. Muito mais importante que o número em si é constatarmos que este é demolidor e arrasa a política e a encenação socialista. Então vejamos…
O ajuste do INE na população residente em Portugal em 2024, ainda que fruto de alteração de metodologia e que não sejam os valores definitivos, revela que no final desse ano o País contava com 11,3 milhões, cerca de 600 mil residentes a mais do que contemplado anteriormente. E o mais importante neste valor é que este traduz uma realidade omitida pelo poder político socialista, mas conhecida pelo maior volume de contribuições na Segurança Social, pelos números do emprego, pela maior pressão nos serviços de saúde e transporte, bem como na procura de habitação.
Uma ocultação que se estendeu aos discípulos de confiança que assumiram papéis relevantes em instituições como o Banco de Portugal, cuja credibilidade e independência deviam ter falado mais alto a ponto de terem sido feitos os alertas e ajustes nas estimativas dos principais indicadores do País.
Mas isso não interessava… Era importante manter a sonsice do costume, conservar as aparências a par da divulgação de múltiplos power points e promessas que iludiam o cidadão comum e faziam crer que estava tudo bem: o PIB crescia, o País tinha “A” solução para a habitação, na mobilidade não se cumpria a lei, mas isso também não era relevante pois só importava à Madeira.
Não interessava mostrar um dos muitos falhanços da governação de António Costa, que, beneficiando da maioria absoluta e do apoio dos seus parceiros de esquerda no Parlamento - apoio esse que reforçava a sua hegemonia política -, procurava projetar uma imagem de sucesso governativo e permitia insistir na política de portas escancaradas através da defesa intransigente da Manifestação de Interesse.
Não interessava assumir que Portugal perderia competitividade na Europa - passando de 81% da riqueza média europeia per capita para os 76,2% - pois isso delapidaria a mensagem socialista do reforço da convergência europeia.
A verdade é que a questão da correção da população residente, e que era do conhecimento da liderança do País até 2024, está a avolumar-se e tem obrigado a que destacados socialistas venham a terreiro explicar qualquer coisinha, sendo que, à data, através de audições parlamentares o PSD tem interesse em ouvir ex-ministros do PS e este quer questionar o INE sobre o tema.
A situação promete ser mais do que um mero número pois vai provocar revisões de um conjunto de indicadores nacionais e vai evidenciar que temos mais um milhão de pessoas para fazer o mesmo, o que é arrasador para a competitividade nacional da era socialista.
Enquanto a nível nacional se debate e se tenta desmontar a intenção do PS de camuflar uma informação que, agora e segundo o Ex Governador do Banco de Portugal “era mais ou menos consensual que era percetível que a população estava desfasada daquilo que era a realidade”, a Região Autónoma da Madeira (RAM) pode fazer as suas contas neste exercício estatístico e verificar que para si o número é motivador.
Para a Madeira os valores revistos da população residente de 2024, ainda que sejam estimativas que só venham a ter confirmação em 2027, mostram uma realidade que fortalece a confiança. Apresentam um aumento de 2% na população residente - no País o aumento foi de 6% - e fazem com a RAM assuma a segunda posição no Índice de Disparidade da riqueza média em Portugal com um indicador “RAM=111”, ie, revela que a Região tem um rendimento per capita 11% acima da média nacional (PT =100). Cumulativamente, a Madeira passa a ser a única área que, a par da Grande Lisboa, consegue ter níveis de rendimento individual acima dos 100% , que é a métrica global do País.
Esta é uma situação distinta da verificada antes da revisão das estimativas de população do INE, na qual o Algarve apresentava-se em segundo lugar com um índice ligeiramente superior ao da RAM.