Trump nega ter impedido líder da oposição de viajar para a Venezuela após sismo
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou ter pedido à líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, que não regressasse ao país após os sismos que abalaram o país e causaram pelo menos 3.811 mortos.
"Não, de forma alguma. Como é que eu lhe iria dizer isso?", respondeu Trump na quarta-feira a jornalistas a bordo do Air Force One, durante o voo de regresso a Washington desde a Turquia, após a cimeira da NATO.
O chefe de Estado elogiou Machado e recordou que a venezuelana lhe ofereceu a medalha do Prémio Nobel da Paz, como símbolo da relação entre ambos.
A reação surgiu depois de, na semana passada, o site Axios ter divulgado informações de fontes da Administração norte-americana que classificaram a tentativa de Machado de regressar ao país como um "ato grotesco de oportunismo político".
Segundo esse relato, altos funcionários da Casa Branca manifestaram desconforto com os planos da opositora, considerando que geraram "drama desnecessário" dentro do Departamento de Estado.
"Vou voltar. Não como um evento, mas como uma promessa que se cumpre passo a passo, porque o meu lugar está lá, convosco. E quando nos encontrarmos, vamos levantar este país do mesmo lado em que sempre estivemos", Machado escreveu na rede social X na terça-feira.
Em 29 de junho, Machado divulgou um vídeo no qual afirmava encontrar-se no Panamá após ver frustrado o regresso à Venezuela, acusando o governo venezuelano de a impedir de o fazer.
No entanto, na altura, o jornal The Wall Street apontou ter sido a Administração norte-americana a pressionar a líder da oposição venezuelana a descartar o regresso à Venezuela.
O número de mortos pelos sismos de há duas semanas na Venezuela subiu esta quarta-feira para 3.811, enquanto o de feridos se manteve em 16.740, igual ao balanço de domingo, de acordo com dados oficiais. O aumento de vítimas mortais foi de 126 pessoas.
O presidente do Parlamento da Venezuela, Jorge Rodríguez, indicou numa reunião com a chefe de Estado interina, Delcy Rodríguez, que 17.907 pessoas ficaram sem habitação após o duplo sismo, com 6.462 resgatados desde quinta-feira passada.