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Violência sexual em conflitos mais do que duplicou no ano passado

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A ONU verificou 9.788 casos de violência sexual relacionada com conflitos em 2025, mais do dobro do número registado no período homólogo anterior, referiu um relatório hoje divulgado.

Os dados constam no relatório anual do secretário-geral da ONU, António Guterres, apresentado ao Conselho de Segurança das Nações Unidas pela representante especial para Violência Sexual em Conflitos, Pramila Patten.

No entanto, apesar dos casos verificados mais do que duplicarem, Patten sublinhou que os números "nunca poderão captar toda a escala e magnitude deste crime cronicamente subnotificado".

"Os dados representam apenas os casos que as Nações Unidas conseguiram verificar, apesar das restrições de acesso, da insegurança, do colapso dos sistemas de saúde, da redução das missões da ONU e do estigma social enraizado", salientou a representante da ONU.

"O número real de vítimas é muito maior, estimando os profissionais humanitários no terreno que, por cada caso que chega a uma clínica, entre 10 e 20 não são reportados nem tratados", acrescentou.

A reunião foi convocada pela República Democrática do Congo (RDCongo), país que preside o Conselho em julho, e intitulou o debate como: "Honrando a promessa do direito internacional às sobreviventes de violência sexual relacionada a conflitos". 

Pramila Patten louvou "a coragem política" da RDCongo, enquanto "primeiro país diretamente afetado pelo flagelo" da violência sexual em conflitos, por acolher este debate aberto.

"Isto estabelece um precedente e um exemplo para aqueles que negam a violência sexual. Foram feitos progressos meticulosos para quebrar o círculo vicioso de violência e impunidade e substituí-lo por um ciclo virtuoso de reconhecimento e resposta", afirmou a representante da ONU.

O debate conta com a presença de dezenas de Estados-membros, incluindo de Portugal, e é presidido pela primeira-ministra da RDCongo, Judith Suminwa Tuluka.