Diáspora desafiada a conquistar as novas gerações
O reforço do investimento na Madeira por parte das comunidades emigrantes madeirenses foi um dos aspectos destacados
A necessidade de reforçar a ligação entre a Madeira e a diáspora, envolvendo as novas gerações, potenciando o investimento e transformando as comunidades portuguesas numa rede estratégica para o desenvolvimento económico esteve em destaque na mesa-redonda do período da tarde do Fórum Madeira Global, sob o mote 'Raízes e Continuidade'. O momento juntou Sancho Gomes, director regional das Comunidades e Cooperação Externa; José Andrade, director regional das Comunidades do Governo Regional dos Açores; e o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa. O debate foi moderado por Miguel Silva, director do JM.
Ao longo da discussão, os intervenientes sublinharam o papel determinante que as comunidades madeirenses tiveram no desenvolvimento da Região ao longo dos últimos 50 anos de autonomia, não apenas através das remessas financeiras, mas também pelo investimento, pelo empreendedorismo e pela afirmação da identidade madeirense além-fronteiras.
Sancho Gomes, que salientou que “os emigrantes madeirenses, durante muitos anos, mataram a fome a muitos dos que ficaram na Madeira”, defendeu que o principal desafio passa agora por conquistar as segundas e terceiras gerações, através de políticas que reforcem o sentimento de pertença e aproximem os luso-descendentes da Madeira, incluindo uma maior participação cívica e política.
Emídio Sousa destacou a capacidade de trabalho e resiliência dos emigrantes portugueses, considerando que as comunidades representam hoje um dos maiores activos estratégicos do país.
O governante defendeu que a nova relação entre o Estado e a diáspora deve assentar na cooperação económica, anunciando o objectivo de consolidar uma “comunidade económica dos portugueses”, capaz de aproximar empresários, promover investimento e criar mais riqueza. Salientou ainda que as novas gerações estão a redescobrir as suas origens e que esse interesse deve ser aproveitado para fortalecer os laços com Portugal.
Particularmente no que toca à Venezuela, o governante salientou a necessidade de Portugal se colocar na dianteira da recuperação das zonas afectadas pelos recentes sismos, entendendo que os portugueses podem beneficiar do posicionamento que a comunidade lusa já ocupa naquele país. Notou, nessa linha, que se esse ‘espaço’ não for ocupado por portugueses, “outros irão ocupá-lo”.
Já José Andrade centrou a sua intervenção nos três grandes desafios da diáspora, nomeadamente geográfico, sectorial e geracional, sustentando a ideia de que "a diáspora de hoje está bastante mais globalizada e diversificada", exigindo, por isso, novas estratégias para acompanhar os novos desafios. Nas suas intervenções, defendeu igualmente a criação de melhores condições para que os emigrantes possam investir nas regiões de origem e insistiu na importância de preservar a identidade junto dos filhos e netos dos emigrantes, incentivando-os a conhecer a Madeira e os Açores e a manter viva a ligação cultural e linguística às suas raízes.