Novos conselheiros da Diáspora querem reforçar ligação às comunidades emigrantes
Os novos representantes do Reino Unido e dos Estados Unidos no Conselho da Diáspora Madeirense assumem o mandato com o compromisso de reforçar a proximidade às comunidades emigrantes e responder aos desafios específicos de cada país. Nomeados pelo Governo Regional, Eugénio Perregil e Paulo Ferreira destacam a importância de manter uma ligação estreita entre a Madeira e os madeirenses espalhados pelo mundo.
Pelo Reino Unido, Eugénio Perregil admite que aceita o cargo “como um desafio”, recordando que esta é a segunda vez que é convidado para integrar o Conselho da Diáspora.
Entre as principais preocupações aponta as mudanças provocadas pelo Brexit e a actual conjuntura económica britânica. “Estamos perante um Brexit, uma nova realidade que o Reino Unido está a ter. Não há emigração tão acentuada como acontecia anteriormente quando integrava a União Europeia”, afirmou. O conselheiro refere ainda que o elevado custo de vida tem levado alguns emigrantes a ponderar o regresso à Madeira, embora ressalve que “não em massa”.
Apesar disso, sublinha que a comunidade está “muito bem integrada” e destaca a crescente qualificação das novas gerações, com cada vez mais madeirenses a ocupar cargos de responsabilidade em áreas como a saúde, a engenharia e a gestão.
Perregil alertou igualmente para o endurecimento das políticas migratórias britânicas, lembrando que quem cometer determinados crimes pode ser expulso do país “automaticamente”, sem possibilidade de regressar. Ainda assim, elogiou o funcionamento dos serviços consulares portugueses, considerando que “o consulado está a funcionar de uma melhor forma”, com uma resposta mais célere às necessidades da comunidade.
Já Paulo Ferreira, representante da comunidade madeirense nos Estados Unidos, encara a nomeação como “uma grande honra” e garante que pretende colocar a sua experiência ao serviço dos emigrantes. “Sou uma pessoa que gosta de ajudar as pessoas e, principalmente, vou ter a oportunidade de ajudar mais pessoas, sobretudo a comunidade madeirense”, afirmou. Natural do Bom Sucesso, no Funchal, emigrou para os Estados Unidos aos 10 anos e é actualmente director de Engenharia na indústria aeroespacial e da defesa.
O novo conselheiro considera que a comunidade madeirense está “bem integrada”, mas lembra que “nos últimos 10 a 20 anos não tem havido muita imigração da Madeira” para os Estados Unidos, sendo a maioria da comunidade constituída por luso-descendentes. Entre as prioridades do mandato está a criação de uma base de dados dos madeirenses residentes na região da Nova Inglaterra, que permita conhecer melhor a comunidade e facilitar o contacto com os emigrantes.
Dirigindo-se aos madeirenses residentes nos Estados Unidos, Paulo Ferreira deixou ainda uma mensagem de proximidade e disponibilidade: “Podem contactar-me em qualquer altura e eu vou fazer o meu melhor para os ajudar, porque nós todos somos irmãos e irmãs e, embora estejamos fora da nossa ilha, temos de manter contacto.”.