Falhas da democracia
A maioria das pessoas adultas já ouviu certamente falar naquele dito antigo de que, “RIR é o melhor remédio”.
E de facto o melhor é rirmos quando ouvimos dizer de que tudo o que temos de bom deve-se ao 25 de Abril, e o que temos de ruim atribui-se a falhas da democracia.
Claro que, a maioria dos que falam assim, são os conhecidos filhos do regime, os que se têm alimentado à custa do Estado – e não são tão poucos como se pensa – os que atingiram patamares superiores, ocuparam e ocupam lugares de governação ou representação deste país que, só foram e ainda hoje são possíveis, graças a este regime medido por baixo, pai da mediocridade, do oportunismo, da incompetência e irresponsabilidade.
Evidentemente que, faltaríamos à verdade ou estaríamos a ser injustos, se no meio de tudo isto não reconhecêssemos a existência de pessoas capazes, serias, competentes que lutam a bordo de um “barco” cada vez mais à deriva, sem saberem ao certo se os seus esforços terão alguma compensação.
Devem estar – tal como nós e milhões de portugueses conscienciosos – abismados com o número cada vez maior e mais grave dessas tais “falhas da democracia”, que mais não são do que sintomas de um regime a cair (lentamente) de podre, que hoje já sentimos e que as gerações vindouras vão sentir ainda mais.
Hoje é um partido a ser investigado, amanhã é esta e aquela Instituição Pública, ora é um autarca, outrora um ministro, por suspeitas disto e daquilo, é a “Saúde “que está doente e ninguém é capaz de lhe dar cura, é o “Ensino” num reboliço, a “ Justiça” a estar como Deus bem sabe, males, aliás, que não são de hoje ou de ontem, mas que se arrastam há dezenas de anos.
Há poucos dias foi discutido na A.R. o Estado da Nação, e, honestamente, o que se tirou de concreto e positivo daí?
O mesmo do costume. Umas promessas do governo, desta vez de um suplemento das pensões, descida do IRC, apoio a professores e pensionistas, que temos de esperar para ver, e pouco mais.
Do lado da oposição o comportamento do costume. A solução para todos os problemas daqueles que quando estiveram no governo não souberam resolver e a fanfarronice de uns e as utopias de outros.
E assim se vai embalando o País e o povo, como se tem feito habitualmente.
Será que isto vai continuar sempre assim por muitos anos?
Talvez. Enquanto houver dinheiro para manter salários chorudos, reformas principescas, isenção de responsabilidades e, sobretudo, crença do povo no Pai Natal, ou este ter dinheiro para pagar os empréstimos que os faz manter uma vida para além das suas possibilidades.
Sim, porque os governos em lugar de pôr o País a criar riqueza para poder dividir pelo povo, acharam por bem conceder crédito às famílias para poderem fazer face às despesas, encalacrando as pessoas até à sepultura.
Haveria muito mais para contar, mas isto não é um livro, é simplesmente um apontamento para um jornal.
Até uma próxima.
Juvenal Pereira