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Falhas deixaram directores "legitimamente desconfiados" com digitalização das classificações

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Os problemas na classificação eletrónica dos exames nacionais deixaram as escolas desconfiadas em relação à transição digital, afirmou hoje um representante dos diretores que considerou que o modelo "começou muito mal", mas "veio para ficar".

"Estamos todos legitimamente desconfiados de um processo que tem futuro, mas este ano não correu bem", afirmou o presidente da Associação Nacional de Diretores de agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP).

Filinto Lima foi hoje ouvido pela comissão parlamentar de Educação e Ciência, numa audição requerida pelo Livre sobre o processo de digitalização e avaliação dos exames nacionais do ensino secundário.

Em resposta aos deputados, o presidente da ANDAEP começou por dizer que os diretores escolares não foram consultados sobre a implementação da classificação digital, depois de o modelo ter sido testado apenas no exame de Filosofia, no ano passado.

"No ano passado, tivemos 20 mil provas de Filosofia e este ano demos um passo de gigante", sublinhou, recordando que os alunos dos 11.º e 12.º realizaram mais de 300 mil provas.

Questionado sobre o projeto-piloto do ano passado, Filinto Lima disse que os diretores escolares não tiveram acesso a qualquer relatório de avaliação e, por isso, disse desconhecer se a experiência foi considerada positiva.

Este ano, o modelo foi alargado a todas as disciplinas, à exceção de Geometria Descritiva e Desenho, mas os sistemas informáticos apresentaram falhas desde o início, com atrasos na disponibilização das provas, erros na digitalização das folhas de resposta e dificuldades técnicas na plataforma de classificação.

"É o futuro e tem vantagens, mas penso que a digitalização tem de funcionar e, desta vez, funcionou de forma muito deficitária", lamentou o presidente da ANDAEP, considerando que o processo "começou muito mal".

Depois de se reunir com o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) na segunda-feira, Filinto Lima admitiu estar mais confiante quanto à afixação das pautas na sexta-feira, mas aproveitou a audição no parlamento para apelar aos deputados que avaliem o que falhou.

"Todas as comunidades educativas querem afixar as pautas no dia 17. Depois, façam a auditoria e tirem responsabilidades políticas", afirmou, acrescentando que, durante todo este processo de transição, "os diretores sentiram-se desamparados".

Antecipando a segunda fase dos exames nacionais, que arranca na segunda-feira, Filinto Lima acredita que o MECI vai manter o modelo de classificação digital, mas sublinha que esse será o derradeiro teste para "validar ou deitar por terra" este formato.

"Seria de mau tom, na próxima semana, acontecer o que aconteceu durante este processo", disse Filinto Lima, insistindo que, apesar de "mais esperançosos" após a reunião com o ministro Fernando Alexandre, os diretores mantêm alguma desconfiança.

Considerando os constrangimentos registados durante a classificação, Filinto Lima admitiu que o número de pedidos de reapreciação possa aumentar significativamente e, nesse caso, as equipas terão de ser reforçadas.

Habitualmente, depois de afixadas as pautas, os alunos dispõem de dois dias úteis para pedir para consultar as provas e outros dois dias, após o período de consulta, para formalizar o pedido de reapreciação.

Este ano, contudo, todos os alunos terão acesso às respetivas provas, em formato digital, que, segundo Filinto Lima, serão enviadas aos encarregados de educação através de uma plataforma eletrónica.

Para isso, os serviços administrativos das escolas terão de associar um endereço de correio eletrónico a cada exame, mas as orientações sobre esse procedimento ainda não foram disponibilizadas.