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O Dia Mundial do Cérebro

45% de casos de demência têm origem em factores que podemos mudar

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Assinala-se, anualmente, o Dia Mundial do Cérebro a 22 de Julho, com o objectivo de alertar para as questões do cérebro e a importância da discussão das mesmas para a qualidade de vida da população.

No âmbito das comemorações deste dia, a Alzheimer Portugal, juntamente com a Roche, lançou uma nova edição da campanha ‘Ativamente: O Clube do Cérebro’, para dar destaque ao facto de que quase metade dos casos de demência podem ser prevenidos ou atrasados através da modificação de 14 factores de risco.

Protegido pela caixa craniana, o cérebro é o principal órgão do sistema nervoso e contém cerca de 86 mil milhões de neurónios. A estrutura cerebral é complexa e a sua total compreensão está ainda longe. Comanda actividades como o controle de acções motoras, integração dos estímulos sensoriais e actividades neurológicas como a memória e a fala. É, também, responsável pelas emoções e são dele também, algumas das doenças que mais afectam a população mundial.

Assim, o Dia Mundial do Cérebro visa chamar a atenção para a importância da investigação com o objectivo de encontrar respostas para as doenças neurológicas, e de proporcionar a investigação na área dos medicamentos, que pode ser vital para o bem-estar de quem padece de algum tipo de doença do foro neurológico.

Prevenção da demência

Segundo a Alzheimer Portugal, há cerca de 238 mil pessoas com demência em Portugal, número que poderá chegar perto dos 370 mil no ano de 2050. Quase metade destes casos, concretamente 45%, podem ser prevenidos ou atrasados através da modificação de 14 factores de risco já identificados pela ciência.

A meados do mês de Julho, em antecipação ao Dia Mundial do Cérebro, foi lançada uma nova edição da campanha ‘Ativamente: O Clube do Cérebro’, que promove, precisamente, a sensibilização da população para esta realidade por vezes desconhecida, da prevenção ou retardar de casos de demência.

Com base no mais recente relatório da Comissão da The Lancet (2024), a comunidade científica actualizou a lista de factores de risco modificáveis, totalizando agora 14 as áreas sobre as quais a população pode intervir para prevenir a demência. Para além de factores de risco já conhecidos, há a destacar dois novos, nomeadamente o colesterol LDL elevado e a perda de visão.

A campanha ‘Ativamente: O Clube do Cérebro’ procura desmistificar a ideia de que o declínio cognitivo é um processo inevitável do envelhecimento. Nunca é demasiado cedo, nem demasiado tarde para reduzir o risco de desenvolver demência. O objectivo é capacitar os cidadãos para a adopção de hábitos que protegem a saúde cognitiva a longo prazo, transformando a prevenção num compromisso diário.

Saber que quase metade dos casos de Demência podem ser prevenidos retardados se atuarmos sobre os 14 fatores de risco já identificados, significa que reduzir em grande escala o impacto das Demências, está nas nossas mãos. E deve ser compromisso de todos nós mudarmos comportamentos ao longo da nossa vida. É verdade que não podemos mudar a idade, mas podemos mudar muitos dos fatores que aumentam o risco de demência. Cada escolha diária, desde a actividade física ao controlo da audição ou visão, são formas de proteger o cérebro. Rosário Zincke dos Reis, presidente da Direcção Nacional da Alzheimer Portugal.

14 Factores de risco modificáveis

Colesterol LDL elevado: Associado a um maior risco de demência, especialmente quando elevado antes dos 65 anos; a detecção precoce e o controlo lipídico são recomendados;

Perda de visão: O risco é maior quanto mais grave for a perda visual; o rastreio e tratamento precoce são recomendados como medida de prevenção;

Baixo nível educacional: Níveis educacionais superiores na infância e maiores níveis de instrução ao longo da vida, reduzem o risco de demência;

Perda de audição: Está associada a uma redução na estimulação cognitiva e, consequentemente, ao declínio cognitivo; aconselha-se uso de aparelhos auditivos para compensar as perdas;

Traumatismo cranioencefálico: Está associado a maior risco de demênica, nomeadamente a de início precoce; cumprir regras de segurança e diminuir o risco de quedas são medidas de prevenção importantes;

Hipertensão arterial: A hipertensão arterial persistente está associada a maior risco de demência na idade avançada;

Sedentarismo: A OMS recomenda a actividade física a adultos com uma cognição normal para reduzir o risco de declínio cognitivo;

Diabetes: O risco de demência aumenta com a duração e gravidade da diabetes;

Consumo excessivo de álcool: reduzir ou cessar o consumo abusivo de álcool reduz o risco de declínio cognitivo;

Obesidade: É um factor de risco para o declínio cognitivo por estar associada a outros factores de risco cardiometabólicos como a diabetes e a hipertensão arterial;

Tabagismo: A cessação tabágica pode diminuir o risco de declínio cognitivo, mesmo em pessoas mais velhas, além de trazer outros benefícios para a saúde;

Depressão: O tratamento da depressão poderá contribuir para diminuir o risco de demência;

Isolamento social: A participação social e apoio social estão fortemente relacionados com uma boa saúde e bem-estar ao longo da vida;

Poluição do ar: Aumentar a exposição a espaços verdes.