Exercícios russos com fogo real ao largo de Inglaterra foram irresponsáveis
O novo ministro da Defesa britânico, Wes Streeting, classificou hoje como irresponsáveis os exercícios com fogo real realizados na segunda-feira por um navio de guerra russo ao largo da costa britânica.
Streeting, que assumiu o cargo na segunda-feira no Governo do novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, proferiu estas declarações no final duma reunião em Londres com os homólogos de Japão, Itália e Canadá para discutir o Programa Global de Aviação de Combate (GCAP), uma iniciativa conjunta para desenvolver uma nova geração de caças.
O exercício russo decorreu a cerca de 40 milhas náuticas (aproximadamente 74 quilómetros) da costa de Plymouth, no sudoeste de Inglaterra, no mesmo dia em que Burnham assumiu o cargo de primeiro-ministro britânico, sucedendo a Keir Starmer.
O Kremlin (Presidência russa) negou já que os exercícios de fogo real da fragata russa "Neustrashimi", perto da costa britânica tenham qualquer relação com a posse de Burnham.
"Todos os exercícios, todas as atividades dos nossos navios são realizados em estrita conformidade com o direito internacional e o direito marítimo. Por isso, não se deve procurar qualquer insinuação", afirmou Dmitri Peskov, porta-voz presidencial, na conferência de imprensa telefónica diária.
O Kremlin considerou não esperar melhorar as relações com Londres, depois da chegada ao poder de Burnham, denunciando o "apoio incondicional" à Ucrânia manifestado pelo novo primeiro-ministro britânico.
Questionado pela imprensa sobre o incidente, Streeting afirmou que o sucedido foi "uma 'performance' puramente teatral e irresponsável" e salientou que "esta não é a primeira vez que a Rússia se comporta desta forma".
"Francamente, esta é apenas a ponta do icebergue das ameaças diárias que este país e os nossos aliados enfrentam", afirmou o ministro trabalhista, que anteriormente ocupou a pasta da Saúde no Governo de Starmer.
Wes Streeting acrescentou que "a Rússia não deve ter dúvidas sobre a determinação deste Governo e deste primeiro-ministro" em confrontar a agressão na Ucrânia, bem como as ações de Moscovo contra os aliados de Londres.
Um porta-voz do Ministério da Defesa britânico assegurou, por sua vez, que a Marinha Real "continua a vigiar de perto a atividade do navio e está preparada para proteger a segurança nacional" do Reino Unido.
Em meados de junho, as forças britânicas intercetaram um petroleiro da chamada frota fantasma russa na Mancha.
Dois dias mais tarde, um veleiro, registado no Reino Unido, comunicou ter sido alvo de tiros de aviso disparados por um navio de guerra russo enquanto navegava a sul da ilha de Wight, fora de águas territoriais britânicas.
O ex-primeiro-ministro Keir Starmer condenou a ação como imprudente, enquanto o Ministério da Defesa russo afirmou que o veleiro se estava a aproximar perigosamente da fragata russa.