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Governo britânico pede desculpa por mães solteiras terem sido forçadas a entregar bebés para adopção

Foto HOUSE OF COMMONS HANDOUT /EPA
Foto HOUSE OF COMMONS HANDOUT /EPA

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, pediu hoje formalmente desculpa pelo papel do Estado britânico na separação de dezenas de milhares de mães solteiras dos seus bebés, prática que se prolongou durante décadas até aos anos 70.

"O que lhes aconteceu, e a dezenas de milhares de mães, crianças e famílias, nunca deveria ter acontecido. É uma mancha na nossa História", afirmou no Parlamento.

Starmer lembrou como "mães, muitas delas jovens, vulneráveis e sem apoio, foram coagidas, intimidadas ou induzidas em erro a sentir que não tinham outra escolha senão deixar que lhes tirassem os filhos".

"Digo isto a cada uma das pessoas afetadas. Lamentamos profunda e sinceramente", disse o chefe do Governo, que se encontra nas últimas semanas em funções. 

Estima-se que 185 mil bebés de mães solteiras tenham sido adotados na Inglaterra e no País de Gales entre 1949 e 1976. 

O pedido de desculpas do Reino Unido junta-se ao de outros países com histórias semelhantes.

Em 2013, a então primeira-ministra da Austrália, Julia Gillard, proferiu um pedido de desculpas nacional histórico pela história de adoções forçadas do país e pelo "legado de dor e sofrimento que durou toda a vida" que estas causaram.

A Irlanda também reconheceu recentemente o impacto de lares de acolhimento para mães e bebés geridos pela Igreja Católica, nos quais dezenas de milhares de mulheres foram alojadas em condições muitas vezes degradantes. 

Um inquérito concluiu, em 2021, que nove mil crianças morreram em 18 residências para mães e bebés durante o século XX.

O primeiro-ministro Micheál Martin pediu desculpa pela "injustiça profunda e geracional" infligida às mães e aos seus bebés que acabaram por ser acolhidos nessas instituições.