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Fome destrói coesão social e impulsiona migração forçada

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Foto EPA

O Papa visitou hoje a sede do Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas, em Roma, onde alertou que a fome "destrói a coesão social" e "impulsiona a migração forçada".

"Mais do que uma simples preocupação humanitária, a fome destrói a coesão social, aumenta o risco de conflitos e impulsiona a migração forçada", afirmou Leão XIV, alertando também para a crise de fome global "sem precedentes" que o mundo atravessa.

Neste sentido, refletiu sobre como as consequências desta desigualdade "se estendem além dos diretamente afetados e afetam toda a coesão social, aumentando o risco de conflitos e migrações forçadas".

A fome também compromete "a capacidade dos Estados e das sociedades de construir instituições resilientes, garantir uma educação eficaz e promover um desenvolvimento económico sustentável, perpetuando assim ciclos de fragilidade que acabam por afetar toda a comunidade internacional", continuou.

De acordo com dados do PAM, a fome no mundo atingiu níveis recorde, com uma estimativa de 266 milhões de pessoas em 47 países que sofreram de insegurança alimentar aguda em 2025, uma situação agravada por uma "queda espantosa" no financiamento destinado à ajuda alimentar.

Neste sentido, o líder da Igreja Católica pediu que se dê um passo em frente, complementando a intervenção prática com a "compreensão das razões" pelas quais o atual sistema mundial "continua a gerar precisamente estes problemas que depois se vê obrigado a corrigir".

Leão XIV propôs um regresso à cooperação multilateral.

"Renovem e reforcem o vosso compromisso, aumentem os recursos destinados à luta contra a fome e as suas causas profundas e eliminem os obstáculos que impedem que a ajuda chegue a quem dela necessita", salientou.

Durante a visita, Leão XIV colocou uma coroa de flores no muro comemorativo do PAM, que presta homenagem aos 171 membros do pessoal que perderam a vida no cumprimento do dever.

O Papa elogiou a dedicação dos trabalhadores da organização, salientando que muitos deles atuam na linha da frente de diversos conflitos, arriscando diariamente a vida para ajudar os mais necessitados.

"O compromisso da vossa instituição ressoa profundamente com a missão da Igreja Católica de salvaguardar a dignidade humana e promover a fraternidade, enraizada no apelo evangélico a amar o próximo. De facto, partilhamos a tarefa urgente de combater a fome e a desnutrição, intervindo simultaneamente nas causas estruturais que as alimentam", acrescentou.