Guerra no Médio Oriente nunca terminará com rendição de Teerão
A guerra entre o Irão e os Estados Unidos "nunca terminará com a rendição" de Teerão, advertiu hoje o principal negociador iraniano nas conversações com Washington, Mohammad Bagher Ghalibaf, segundo a agência iraniana Isna.
"Pôr fim à guerra é uma prioridade para os países do mundo, mas todos devem saber que este confronto nunca terminará com a rendição do Irão", afirmou o também presidente do parlamento iraniano, numa altura em que as hostilidades recomeçaram esta semana entre Teerão e Washington no Golfo.
As declarações surgem num momento em que o Egito e o Qatar apelaram aos Estados Unidos e ao Irão para que retomassem as negociações.
Durante uma conversa telefónica, o ministro dos Negócios Estrangeiros egípcio, Badr Abdelatty, e o homólogo do Qatar, Mohammed ben Abdelrahmane al-Thani, exortaram "todas as partes a darem prioridade à via da diplomacia e do diálogo e a retomarem as negociações", de acordo com um comunicado da diplomacia egípcia.
Horas antes, o Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que aceitou prosseguir as negociações com a República Islâmica para tentar colocar um fim ao conflito, mas insistiu que o cessar-fogo em vigor desde abril "acabou definitivamente".
"A República Islâmica do Irão pediu-nos para continuarmos as 'negociações'. Concordámos em fazê-lo, mas os Estados Unidos deixaram-lhes bem claro que o cessar-fogo acabou!", escreveu Trump na sua plataforma Truth Social.
As declarações surgem após vários dias de intensificação das hostilidades entre Washington e Teerão, com ataques recíprocos no Médio Oriente, os mais significativos desde a assinatura, em junho, de um memorando de entendimento que formalizou o cessar-fogo alcançado em abril.
Na quarta-feira, Trump já tinha endurecido o discurso em relação aos dirigentes iranianos, afirmando que não queria ter "mais nada a ver com eles", embora tenha admitido que a equipa norte-americana poderia continuar com as negociações diplomáticas.
Na noite de quarta para quinta-feira, os Estados Unidos lançaram uma nova vaga de ataques aéreos contra o Irão, atingindo cerca de 90 instalações militares, segundo as Forças Armadas norte-americanas.
Teerão acusou, contudo, Washington de ter visado também infraestruturas civis, alegando que os bombardeamentos atingiram pontes e a linha ferroviária entre Teerão e Mashhad, com o objetivo de dificultar a deslocação de pessoas para as cerimónias fúnebres do antigo líder supremo Ali Khamenei, que terminaram na quinta-feira em Mashhad, a cidade mais sagrada do Irão.