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Guerra no Irão Mundo

EUA lançam novos ataques aéreos e Teerão retalia contra países do Golfo

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Os Estados Unidos lançaram novos bombardeamentos contra o Irão na madrugada de quinta-feira, desencadeando retaliações iranianas contra o Bahrein, o Kuwait e o Qatar, numa escalada que volta a ameaçar o acordo provisório de cessar-fogo.

Os ataques ocorreram horas depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que as recentes ofensivas iranianas contra navios no estreito de Ormuz significavam o fim do frágil cessar-fogo.

Na quarta-feira, o exército dos EUA já tinha atingido instalações militares e portuárias após o Irão ter visado vários navios mercantes ao largo de Omã.

Os ataques de quinta-feira foram de maior dimensão, mas não há, até ao momento, informação sobre danos nos três países árabes do Golfo.

O Exército do Kuwait anunciou ter repelido "ataques de mísseis e drones hostis" durante a madrugada, com o Bahrein e o Qatar também a reportar ataques de retaliação iranianos.

Segundo militares norte-americanos, os bombardeamentos visaram "degradar ainda mais" a capacidade iraniana de "ameaçar a liberdade de navegação" no estreito, por onde passava antes da guerra cerca de um quinto do petróleo e gás natural transacionado mundialmente.

A imprensa estatal iraniana relatou explosões em várias localidades, incluindo Bushehr, onde se situa o complexo nuclear, e nas cidades portuárias de Chabahar, Konarak, Bandar Abbas e Sirik.

Após sair de uma cimeira da NATO na Turquia, Trump publicou vídeos nas redes sociais mostrando explosões no Irão e voltou a proferir ameaças.

"Isto é em retaliação pelo bombardeamento de navios ontem pelo Irão. Se voltar a acontecer, vai ser muito pior!", escreveu.

Trump disse ainda que os combates não se traduziriam em ação militar "de longo prazo", mas sugeriu que os Estados Unidos poderiam "terminar o trabalho".

O chefe de Estado norte-americano renovou também ameaças de atingir infraestruturas civis iranianas, como centrais elétricas e unidades de dessalinização, e de tomar a ilha petrolífera de Kharg, por onde passa 90% das exportações de crude do país.

O Parlamento iraniano, através do presidente Mohammad Bagher Qalibaf, reagiu na rede social X, indicando que "a era da intimidação e da extorsão acabou".

"Não cedemos", escreveu Qalibaf.

As novas ofensivas aumentaram os receios de retoma da guerra, com Trump a declarar que o acordo provisório para suspender os combates estava "terminado", embora admitisse que as negociações poderiam prosseguir. As suas declarações provocaram subida imediata dos preços do petróleo.

O vice-ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Kazem Gharibabadi, também negociador, respondeu que as palavras de Trump "não são sinal de força, mas sim a admissão do fracasso" da política dos EUA em relação ao Irão.

As negociações para um acordo definitivo estavam previstas para depois do funeral do líder supremo iraniano, aiatola Ali Khamenei, morto a 28 de fevereiro nos primeiros momentos da guerra. As conversações deverão abordar a reabertura plena do estreito e o programa nuclear de Teerão.