Guterres pede a Washington e Teerão que retomem urgentemente negociações
O secretário-geral da ONU assume estar alarmado com o retomar dos confrontos militares no Golfo e, nesse sentido, insta Washington e Teerão a retomarem urgentemente as negociações e a via diplomática, indicou hoje o porta-voz de António Guterres.
Em comunicado, o porta-voz de Guterres advertiu que estes incidentes ameaçam comprometer o progresso diplomático alcançado entre o Irão e os Estados Unidos.
"O secretário-geral reitera que o regresso às hostilidades em grande escala teria consequências catastróficas para os povos da região, para a paz e a segurança internacionais e para a economia global", disse Stéphane Dujarric.
O ex-primeiro-ministro português exortou todas as partes a exercerem a máxima contenção, a evitarem novas ações de escalada e a tomarem medidas imediatas para apaziguar a situação.
"O secretário-geral insta o Irão e os Estados Unidos a retomarem urgentemente as negociações e a abordarem as questões pendentes através da diplomacia. As Nações Unidas continuam empenhadas em apoiar todos os esforços para evitar o regresso ao conflito, restaurar a estabilidade e promover uma solução abrangente e duradoura para este conflito", acrescentou Dujarric.
O líder da ONU recordou ainda a obrigação de todas as partes de cumprirem integralmente o direito internacional, incluindo a proteção dos civis e das infraestruturas civis, e o respeito pelos direitos e liberdades de navegação.
O Presidente norte-americano ameaçou hoje atacar novamente o Irão pelo segundo dia consecutivo, visando nomeadamente infraestruturas civis, e tomar a ilha de Kharg, um importante polo petrolífero iraniano.
"Vamos atacá-los com força esta noite", disse Donald Trump perante a imprensa em Ancara, por ocasião da cimeira da NATO, quando questionado sobre o reinício dos ataques norte-americanos contra o Irão.
Se for necessário, adiantou o líder republicano, os Estados Unidos destruirão as centrais elétricas e as instalações de dessalinização do Irão, e ameaçou tomar o controlo da ilha de Kharg, atacada na terça-feira, uma vez que "não há nada que [os iranianos] possam fazer a esse respeito".
O chefe de Estado norte-americano argumentou que os ataques são uma retaliação aos ataques contra navios no estreito de Ormuz atribuídos à República Islâmica.
"Estão a comportar-se muito mal", disse, referindo-se ao Irão, acusando o país de lançar drones e um míssil contra navios.
Apesar de ter afirmado que já não queria "ter de lidar" com os dirigentes iranianos, que apelidou de "escumalha" e "mentirosos", Trump indicou que os seus negociadores podiam, mesmo assim, prosseguir as conversações.
"Eles podem conversar, mas acho que estão a perder o tempo", continuou.
Um reacendimento do conflito poderá envolver todo o Médio Oriente e provavelmente interromperia novamente os transportes de energia através do estreito de Ormuz, que são cruciais para a economia global.
"Para mim, acho que acabou", disse Trump quando questionado sobre o estado do cessar-fogo.
Washington tinha restabelecido antes dos ataques desta madrugada as sanções ao petróleo bruto iraniano, que tinham sido suspensas pelo memorando de entendimento assinado a 17 de junho.
A decisão motivou reações por parte de Teerão, acusando Washington de faltar à palavra.
O memorando de 17 de junho permitiu a reabertura do estreito de Ormuz, por onde, em condições normais, transitam 20% do petróleo bruto e do gás natural liquefeito (GNL) a nível mundial.
Após terem encontrado este ponto de entendimento, Washington e Teerão retomaram as difíceis negociações com vista a uma resolução duradoura do conflito, desencadeado a 28 de fevereiro por uma ofensiva conjunta entre Israel e os Estados Unidos.