Jorge Jesus garante que Portugal terá identidade "completamente diferente"
O novo selecionador português de futebol, Jorge Jesus, afirmou hoje que vai implementar na equipa de Portugal uma identidade e ideia de jogo "completamente diferentes", em relação ao que jogava com o espanhol Roberto Martínez.
"Se não jogarmos o dobro, fica tudo igual. A qualidade está cá e acredito muito na capacidade do nosso trabalho e dos jogadores, mas só isto não chega. A seleção é muito mais do que um clube e quem não partilhar a ideia, não tem hipótese. Todos temos de pagar o preço de querer ganhar. Vamos criar uma identidade e uma ideia de jogo que não tem nada a ver com a ideia que a seleção portuguesa tinha. Tenho uma forma completamente diferente de olhar para o jogo", expressou Jorge Jesus.
O técnico foi apresentado numa cerimónia na Cidade do Futebol, em Oeiras, que contou com um auditório completamente lotado, sendo a sua maioria convidados e funcionários da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que aplaudiram Jesus.
"Onde chego é para vencer e aqui é igual. Eu gosto de assumir a responsabilidade quando tenho a certeza de que eu tenho matéria-prima para desenvolver. Eu estou habituado a essa pressão, que se enquadra no que penso. Nós estaremos prontos para traçar o nosso caminho e para um desafio difícil, mas estou convencido que vamos vencer", apontou o selecionador, de 71 anos, que treinou antes o Al Nassr.
Jorge Jesus realçou que treinar uma seleção e um clube "não é muito diferente" e lembrou que, dos futebolistas convocados para o Mundial2026, já trabalhou com cerca de metade durante a carreira e mostrou-se disponível para a geração futura.
"Acredito em todos e vão aparecer novos jogadores, de muita qualidade. Vou estar ainda mais inserido na evolução dos mais jovens, mas o mais importante agora é o presente. Da atual seleção, só seis jogadores têm acima de 30 anos e dois deles são guarda-redes. Não é uma equipa velha, a média de idades está nos 28 anos, é o melhor período do jogador. Não é por aí que a seleção vai ter problemas", disse.
O novo selecionador da equipa das 'quinas' desvalorizou polémicas antigas com Bernardo Silva, numa fase inicial da carreira do futebolista, assegurando que falou com ele sobre o tema, e recusou comentar a prestação dos lusos no Mundial2026.
"O que Portugal fez não me compete a mim. Não é elegante da minha parte dizer o que poderia ter feito. O primeiro lugar do grupo era importantíssimo. Já se sabia a calendarização e não é a mesma coisa jogar contra a Espanha ou contra a Suíça. Faria tudo para ser o primeiro classificado do grupo, mas o resto não quero entrar por aí", vincou o sucessor de Roberto Martínez, que assinou até ao Mundial2030.
O português estava livre desde que deixou o Al Nassr em maio, após conquistar pela segunda vez o título de campeão saudita -- reeditando o feito conseguido em 2023/24 pelo Al Hilal -, com um plantel no qual pontificavam os internacionais lusos Cristiano Ronaldo e João Félix.
Nos quase 40 anos de carreira como treinador, que se iniciou em 1989/90, no Amora, então na III Divisão, esta será a primeira vez que Jorge Jesus irá assumir a liderança de uma seleção.
Neste percurso, orientou Felgueiras, União da Madeira, Estrela da Amadora, Vitória de Setúbal, Vitória de Guimarães, Moreirense, União de Leiria, Belenenses, Sporting de Braga, Benfica, Sporting, Al Hilal, Flamengo e Fenerbahçe.
Jesus conquistou uma Taça Libertadores, no comando técnico do Flamengo, além do Brasileirão, depois de se ter sagrado campeão português três vezes, pelo Benfica, entre outros troféus como uma Taça de Portugal, seis Taças da Liga, uma no Sporting, duas Supertaças Cândido de Oliveira e uma Taça da Turquia.