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Os sismos na Venezuela relembram a inquietante fragilidade humana, como que a reforçar a martirização de um país, que apesar de riquíssimo não é capaz de prover aos seus a prosperidade devida, e que num cataclismo natural expõe e amplifica as suas impotências, com gravíssimas repercussões ao seu povo, luso-descendentes e madeirenses. Quando vejo o profuso agendamento das atividades lúdico-culturais, para este verão na Madeira, nomeadamente no relvado martirizado do Parque de Santa Catarina, questiono-me se não seria possível canalizar parte destas receitas para apoio aos titânicos esforços de recuperação daqueles que devido a este infortúnio, apenas ficaram com a roupa no corpo. E ainda neste dramático tema, deixo para reflexão a forma como muito animal de companhia é ainda selvaticamente destratado na nossa região, e o papel que muitos cães treinados têm tido no salvamento de vidas humanas sob os escombros.

A recente comemoração ocorrida na descascada Fortaleza de São João Baptista do Pico por ocasião dos 50 anos de autonomia da Região Autónoma da Madeira, articulada com os 40 anos de adesão de Portugal à União Europeia, e com a assinatura da Declaração do Funchal, soou a uma opereta bufa plena de discursos ocos como se de uma pobre entrada fosse, para uma sopa aguada com ornamentações de banquete num decrépito palácio. A imensidão dos assentos vazios, foi a confirmação átona de uma festa das elites como se os madeirenses fossem vistos como os velhos corsários que embatem nas intransponíveis muralhas da edificação filipina.

Um mau episódio de má memória com a chancela da vacuidade presidencial de Seguro na sua primeira deslocação oficial à Região, onde não faltaram uns figurantes forasteiros para conceder uma réstia de solenidade, típica de quem padece do estigma provinciano que carece de uma validação externa para confirmar a sua existência. Afinal, os paladinos da autonomia são mais reverentes que os explorados colonos.

A autonomia madeirense sempre foi alimentada por um contencioso, que muito fruto rendeu ao partido vencedor que dura há meio-século ao leme da RAM. Essa falta de alternância política e os tiques enquistados pelo tempo da dialética estabelecida com o Estado central, está a descredibilizar as aspirações da evolução do desenvolvimento autonómico, agravadas pelo (des)governo local, mais comprometido com as estatísticas e certas elites, do que com as pessoas, com repercussões negativas para a nossa comunidade, expressas na saúde, habitação, etc. É impensável outorgar mais poderes autonómicos a um poder monocromático que transforma o madeirense em figurante na sua própria terra, que não consegue adquirir casa, nem sequer fruir das belezas naturais cada vez mais conspurcadas. A poncha e demais festivais do álcool só servem ao local, para amortecer o choque, de ver a sua terra desvirtuada e convertida num parque temático sobrelotado.