Restabelecer a pena de morte é risco existencial para a democracia
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou ontem que a abolição da pena de morte não é algo do passado, mas "uma batalha contemporânea", perante o ressurgimento do debate, considerando que restabelecê-la seria um risco "existencial" para a democracia.
Ao discursar na primeira sessão da 9.ª edição do Congresso para a Abolição da Pena de Morte, que decorre esta semana em Paris, Macron insistiu em que a supressão total da pena máxima é uma luta que "nunca está ganha".
Salientou também que, em qualquer caso, "a pena de morte nunca fez uma sociedade mais segura porque não dissuade. Isso está demonstrado".
Além de repetir que a pena capital pode considerar-se "uma arma, mas nunca um escudo", Macron justificou a sua abolição sobretudo em nome da "dignidade humana".
Macron contrapôs ainda que nos últimos anos tenha havido mais países a abolir a pena de morte em 2025 houve o maior número de execuções desde 1981.
Em concreto, 2.707 personas foram executadas em apenas 17 países e cerca de 25 mil estão à espera de ser executadas.
A França aboliu a pena de morte em 1981, durante a Presidência do socialista François Mitterrand.