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IA promete maior produtividade, mas com riscos para os mercados de trabalho

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A inteligência artificial (IA) promete maior produtividade, mas com riscos para os mercados de trabalho, considerou hoje o diretor-geral do Banco de Pagamentos Internacionais (BPI), Pago Hernández de Cos.

"O desenvolvimento da IA levanta questões fundamentais sobre o futuro do trabalho e a distribuição de rendimentos. Até agora, essas deslocações laborais tão drásticas ainda não ocorreram em grande escala, mas há sinais de que vão ocorrer ajustamentos", advertiu Hernández de Cos, na assembleia geral anual da instituição na cidade suíça de Basileia.

As indústrias dos EUA com maior exposição à IA registaram um crescimento de emprego menor do que outras indústrias menos expostas, acrescentou Hernández de Cos.

Por isso, "a transição para uma economia mais produtiva impulsionada pela IA acarreta riscos", diz o banco dos bancos centrais no relatório anual.

A IA encontra aplicações em mais tarefas e ocupações e pode intensificar a perda de emprego.

Não está claro se a IA cria novos empregos ou amplia suficientemente a procura dos existentes para compensar os destruídos.

As implicações para a política monetária dependerão de como essas tensões forem resolvidas.

Se a IA aumentar a produtividade de forma permanente, a economia pode sustentar um crescimento do consumo mais elevado e a taxa de juro natural aumenta.

A taxa de juro natural é aquela que nem impede, nem impulsiona o crescimento económico.

"Mas se a automação induzida pela IA deslocar a rendimento do trabalho e do consumo, diminuindo os incentivos para inovar, um estrangulamento na procura pode-se tornar uma restrição vinculativa para o crescimento", disse Hernádez de Cos.

Neste caso, a taxa natural dos bancos centrais seria mais baixa devido à queda da procura.

A IA também tem implicações para a inflação, pode aumentá-la, mas também reduzi-la, segundo o banco dos bancos centrais.

Os enormes investimentos realizados em IA, principalmente nos EUA, criam pressões inflacionistas.

Os cinco maiores híper escaladores, que são as maiores empresas de tecnologia de serviços em nuvem, como a Amazon, Microsoft, Google, Oracle e IBM, vão gastar mais de um bilião de dólares em investimentos relacionados com a IA em 2025 e 2026, segundo números do BPI.

Até agora, a IA tem impulsionado o crescimento através de canais reais e financeiros, mas a pergunta é se isso pode ser mantido.

Pode ocorrer uma forte queda nos preços das ações de empresas relacionadas com a IA se as taxas de juro subirem ou se os resultados da IA forem dececionantes, algo que também afetaria o crédito privado com o qual a IA é financiada e poderia endurecer muito as condições financeiras.