Como é que o Serviço Geológico dos Estados Unidos estima o número de mortes após um sismo?
No caso dos sismos que atingiram a Venezuela, de magnitudes 7,2 e 7,5, o Serviço Geológico dos Estados Unidos estima entre 10 mil e 100 mil mortes. O PAGER (Prompt Assessment of Global Earthquakes for Response - Avaliação rápida de sismos globais para resposta) é um sistema que permite avaliar, poucos minutos após um sismo, as suas possíveis consequências
Quando ocorre um sismo de grande magnitude, uma das principais preocupações das autoridades é perceber rapidamente a dimensão da catástrofe. Quantas pessoas poderão ter sido afectadas? Haverá vítimas mortais? Qual será o impacto económico? Para responder a estas questões, existe o PAGER (Prompt Assessment of Global Earthquakes for Response - Avaliação rápida de sismos globais para resposta), um sistema desenvolvido pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) que permite avaliar, poucos minutos após um sismo, as suas possíveis consequências.
No caso dos sismos que atingiram a Venezuela, de magnitudes 7,2 e 7,5, o Serviço Geológico dos Estados Unidos estima, com base em modelos informáticos, entre 10 mil e 100 mil mortes. O USGS calculou uma probabilidade de 42% de que o número de mortos se situe entre as 10 mil e as 100 mil vítimas mortais, 33% de probabilidade de entre mil e 10 mil mortes e 17% de hipótese de mais de 100 mil mortes.
O PAGER é uma ferramenta de resposta rápida que analisa automaticamente diversos dados sísmicos logo após a ocorrência de um terramoto. Entre as informações utilizadas estão a magnitude, a localização e a profundidade do sismo, bem como a intensidade prevista da vibração do solo nas zonas afectadas. O sistema cruza ainda estes dados com a distribuição da população e com modelos que têm em conta a vulnerabilidade dos edifícios, baseados em acontecimentos anteriores.
Para realizar as estimativas, o USGS tem em conta variáveis como a densidade populacional local e as características dos edifícios. “Em geral, a população desta região vive em edifícios vulneráveis a sismos, embora também existam estruturas resistentes a sismos. Os tipos mais comuns de edifícios vulneráveis são estruturas de tijolo, alvenaria não reforçada e de blocos de adobe”, destacou a agência, relativamente ao sismo na Venezuela.
O USGS estimou ainda as perdas económicas resultantes dos sismos, calculando, com base nos dados actuais, que podem variar entre 1% a 7% do Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela.
A partir desta análise, o PAGER produz estimativas do número provável de vítimas mortais e dos prejuízos económicos, além de mapas que mostram a intensidade do sismo e a população potencialmente exposta. Estas informações são fundamentais para apoiar a tomada de decisões nas primeiras horas após um desastre natural.
Um dos elementos mais conhecidos do sistema é o nível de alerta, apresentado através de um código de cores que permite avaliar rapidamente a gravidade da situação. O alerta verde indica que o impacto deverá ser reduzido. O amarelo aponta para danos moderados e consequências a nível regional. O laranja assinala um impacto elevado, com efeitos significativos a nível nacional. Já o vermelho corresponde ao cenário mais grave, sugerindo um desastre de grande dimensão, com elevado número de vítimas e perdas económicas, podendo justificar a mobilização de ajuda internacional. No caso do sismo ocorrido na Venezuela, o PAGER emitiu um alerta vermelho, reflectindo uma estimativa de impacto humano potencialmente muito elevado e danos significativos.
As primeiras estimativas do PAGER ficam normalmente disponíveis entre 20 e 30 minutos após um sismo significativo. À medida que chegam novos dados das estações sísmicas e das equipas no terreno, as previsões são actualizadas, tornando-se progressivamente mais precisas.
Ao fornecer uma avaliação rápida e fundamentada dos impactos de um terramoto, o PAGER tornou-se uma ferramenta essencial para os serviços de protecção civil, governos, organizações humanitárias e agências de emergência em todo o mundo. A rapidez na disponibilização da informação permite planear operações de socorro, definir prioridades de intervenção e mobilizar recursos para as zonas mais afectadas, contribuindo para uma resposta mais eficaz perante um dos fenómenos naturais mais devastadores.