Falta de Desportivismo

No passado dia 30 de maio de 2026, disputou-se a meia-final da Taça da Madeira no escalão de juniores, entre a Clube Escola Francisco Franco (FF) e o Sporting da Madeira. Neste encontro, a equipa da FF apresentou uma abordagem diferente da habitual, não utilizando os jogadores que haviam participado em toda a segunda fase da competição. Em vez disso, optou por convocar atletas que competiram na Taça Nacional de Sub-19 e que, ao longo da época, atuaram maioritariamente no campeonato e na Taça da Madeira como Seniores B.

Importa destacar que estes jogadores não realizaram qualquer minuto ou jogo no escalão de juniores ao longo da competição, o que acabou por afastar os atletas que, de forma consistente e dedicada, representaram o clube durante toda a Taça. Esta decisão pode ser interpretada como uma desvalorização do esforço e compromisso desses jogadores, levantando questões sobre a confiança nas suas competências e o reconhecimento do mérito desportivo.

Perante esta situação, importa ainda referir que os regulamentos da Associação de Futebol da Madeira (AF Madeira) não clarificam de forma objetiva se é permitida a utilização de jogadores que atuaram no escalão sénior — participando no campeonato, na Taça da Madeira e na Taça Nacional, ainda a decorrer — no escalão de juniores, em fases decisivas da competição. Esta ausência de definição regulamentar abre espaço a interpretações e decisões controversas, sobretudo quando parecem orientadas exclusivamente para garantir o resultado desportivo.

Relembra-se ainda que, na época 2024/2025, a mesma equipa, Clube Escola Francisco Franco esteve envolvida numa situação semelhante na meia-final da Taça da Madeira de futsal, no escalão de iniciados, onde terá utilizado jogadores de forma indevida. Na altura, a equipa adversária apresentou um protesto junto da AF Madeira, não tendo, até à presente data, sido conhecida qualquer decisão, nem tendo sido apurado um vencedor justo dessa competição.

Este conjunto de situações levanta preocupações sérias relativamente ao respeito pelos princípios éticos, pelo desportivismo e pela verdade desportiva. Além disso, gera a perceção de uma eventual falta de intervenção por parte da AF Madeira nestes casos, o que contribui para um sentimento de injustiça e desigualdade no contexto competitivo.

Nelson M.