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PCP diz que falta apenas "um empurrão para o pacote laboral ir ao chão"

Foto ANTÓNIO PEDRO SANTOS/Lusa
Foto ANTÓNIO PEDRO SANTOS/Lusa

O secretário-geral do PCP considerou hoje que falta apenas "um empurrão para o pacote laboral ir ao chão" e que o Governo se "vai dar mal" porque os trabalhadores estão unidos contra este "assalto aos seus direitos".

À margem da XII Assembleia da Organização Regional de Aveiro do PCP, que decorreu em Espinho, Paulo Raimundo considerou que o Governo PSD/CDS-PP pensava que ia ter uma "passadeira vermelha" para avançar no assalto aos direitos dos trabalhadores e para impor o pacote laboral.

"Ora, se pensaram isso, pensaram mal porque a luta dos trabalhadores, desde logo com a greve geral de 11 de dezembro, travou-lhes o passo e trocou-lhes as voltas", afirmou.

Apesar de o executivo de Luís Montenegro não ter desistido do pacote laboral, os trabalhadores criaram-lhes e estão-lhe a criar muitas dificuldades, apontou.

"É só mais um empurrão e, de facto, este pacote tem mesmo que ir ao chão", considerou.

Paulo Raimundo destacou que o primeiro-ministro disse que as pessoas e as empresas estão com o pacote laboral, mas esqueceu-se de especificar que a percentagem dos que estão a favor é apenas de 10%.

"São 10% das famílias que detêm 60% de toda a riqueza do país e eu sei porquê", frisou.

E acrescentou: "Eu sei e percebemos bem porque é que a família Azevedo, a família Soares dos Santos, Mota, Queiroz Pereira e Amorim, essas dos 650 milhões de dividendos que foram para o bolso deles, eu percebo por que razão é que estão com o pacote laboral".

O secretário-geral do PCP destacou que as restantes 90% das famílias não podem estar de acordo por uma razão simples porque não podem compactuar com mais precariedade ou despedimentos sem justa causa.

"Um trabalhador nunca pode estar de acordo com isso", considerou, apelando à mobilização de todos na greve geral de 03 de junho.

Paulo Raimundo ressalvou ainda que o problema é que o primeiro-ministro acredita mesmo na sua propaganda e na sua narrativa.

"O senhor primeiro-ministro está com um problema que lhe vai sair caro, se ele não sair da sua própria narrativa, que está criada a partir da sua própria propaganda, eu acho que ele se vai dar mal", entendeu.

A CGTP entregou um pré-aviso de greve geral para 03 de junho contra as alterações à lei laboral, após as negociações com o Governo terem terminado sem acordo.

O Governo aprovou na semana passada em Conselho de Ministros a proposta de lei de revisão da lei laboral, que será discutida no parlamento.

O anúncio foi feito pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Rosário Palma Ramalho, em conferência de imprensa, uma semana depois de o Governo ter dado por terminadas as negociações sobre as alterações à legislação laboral sem acordo na Concertação Social.