Pelo menos nove pessoas morreram em ataques israelitas no Líbano
Ataques israelitas deixaram ontem nove mortos no Líbano, onde o Hezbollah pró iraniano reivindicou disparos contra Israel, que ameaçou atacar os subúrbios do sul de Beirute em caso de agressão ao seu território.
O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, advertiu que qualquer ataque à capital libanesa provocaria "uma retomada em grande escala da guerra" no Médio Oriente.
"As nossas forças armadas estão totalmente prontas para retomar a guerra e atacar alvos em Israel", acrescentou Araghchi à cadeia de televisão libanesa Al Mayadeen, segundo a agência de notícias iraniana Tasnim.
Um cessar-fogo entrou em vigor entre o Irão e os Estados Unidos entrou em vigor a 08 de abril, e desde então ambos os países tentam chegar a um acordo para pôr fim à guerra de forma duradoura. Outro cessar-fogo deveria estar em vigor entre Israel e o Hezbollah desde 17 de abril.
O Hezbollah indicou ter atingido ontem militares no norte de Israel.
O ministro da Defesa israelita, Israel Katz tinha avisado no dia anterior que os subúrbios do sul de Beirute, bastião daquele movimento xiita, seriam atingidos se este visasse o seu território.
O responsável pela pasta da Defesa israelita afirmou ter o aval dos Estados Unidos nesse sentido, depois de Donald Trump ter dissuadido na segunda-feira o Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de atacar os subúrbios do sul da capital libanesa, poupados desde abril.
Netanyahu afirmou hoje que o presidente americano partilhava o seu objetivo de "desarmar o Hezbollah e desmilitarizar o Líbano".
Na manhã de hoje, um ataque israelita atingiu um carro em Khaldé, à entrada sul da capital, segundo a Agência Nacional de Informação (ANI, oficial).
A ANI também informou sobre bombardeamentos em mais de trinta localidades no sul, onde o exército israelita pediu a retirada das populações de sete aldeias.
À margem do conflito com Israel, o exército libanês informou sobre a morte de um militar num ataque israelita enquanto "circulava" no sul, e de dois militares feridos por um drone israelita que atingiu o veículo onde seguiam na mesma região.
Na mesma região, um ataque israelita também visou "diretamente" uma ambulância, matando dois socorristas e ferindo gravemente um terceiro, anunciou o ministério da Saúde libanês, elevando para pelo menos 130 o número de socorristas e pessoal médico mortos desde o início da guerra.
Quatro sírios e dois palestinianos também foram mortos perto de Tiro, indicou o ministério.
A cidade costeira milenar tem sido bombardeada durante vários dias e, na terça-feira, Israel acusou membros do Hezbollah de se esconderem no bairro cristão, até agora poupado.
Segundo um correspondente da agência de notícias francesa AFP, deslocados que dormiam nos seus carros ou tendas nesta área considerada segura fugiram para outros setores.
O presidente da Câmara e um oficial libanês deslocaram-se ao bairro cristão para tentar tranquilizar os habitantes.
Segundo as autoridades libanesas, o Hezbollah tinha aceitado na segunda-feira uma proposta americana prevendo, numa primeira fase, que Israel se abstivesse de atacar os subúrbios em troca do compromisso do movimento de parar os seus ataques a Israel.
Mas um alto responsável do Hezbollah indicou à AFP na terça-feira que o seu grupo não aceitará um "cessar-fogo parcial".
Teerão exige que qualquer acordo com Washington para pôr fim à guerra regional inclua o fim das hostilidades na frente libanesa.
Os ataques israelitas mataram 3.516 pessoas desde 02 de março, início da guerra no Líbano, e deslocaram mais de um milhão, segundo as autoridades.
Do lado israelita, 26 militares e um contratado civil foram mortos no Líbano.
Diplomatas libaneses e israelitas deveriam reunir-se hoje em Washington para uma nova sessão de negociações, da qual o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse esperar que resulte num "plano de ação" sobre a segurança no Líbano.