Uma experiência revoltante no Hospital Dr. Nélio Mendonça
Gostaria de partilhar uma situação que vivi e que considero um exemplo preocupante do estado da saúde pública.
Pelas 13h40, o meu namorado sofreu uma lesão nas costas quando colocava o nosso filho numa cadeirinha de baloiço. Sentiu um choque muito forte na zona lombar, perdeu imediatamente as forças e ficou praticamente sem conseguir mexer o corpo. Tentou levantar-se várias vezes, mas sem sucesso, permanecendo deitado e com dores intensas.
Perante a situação, liguei para o 112, onde fui informada de que uma ambulância chegaria dentro de aproximadamente uma hora. Durante todo esse tempo, o meu namorado permaneceu imóvel, sem conseguir levantar-se ou deslocar-se pelos próprios meios.
Quando os bombeiros chegaram, confirmaram a dificuldade de mobilização e tiveram de o auxiliar. Foi transportado de maca devido às fortes dores e à incapacidade de se movimentar normalmente.
Já no Hospital Dr. Nélio Mendonça, a minha mãe foi informada de que ele seria encaminhado para a Ortopedia, onde provavelmente realizaria exames, como um raio-X, para avaliar a situação. No entanto, ao chegar ao serviço, foi deixado de maca no meio de uma sala cheia de pessoas.
Quando o seu nome apareceu no ecrã para a consulta, ninguém o veio buscar. Foi o próprio, ainda deitado na maca, que teve de perguntar a uma enfermeira como iria chegar ao gabinete médico.
Ao entrar, a enfermeira perguntou o que tinha acontecido, mas enquanto ele tentava explicar a situação, afastou-se e deixou a maca seguir para dentro do gabinete praticamente sem lhe prestar atenção.
Já perante o médico ortopedista, a consulta durou apenas alguns minutos. O médico levantou-lhe as pernas, provocando um grito de dor, tocou-lhe na anca de ambos os lados e concluiu rapidamente que “não era nada”. Sem realizar qualquer exame complementar, sem raio-X, sem TAC e sem qualquer investigação mais aprofundada, decidiu administrar apenas uma injeção e dar alta ao doente.
Quando a enfermeira perguntou de que lado deveria ser administrada a injeção, o médico respondeu, perante o doente, “ele que se vire para a porta”, numa atitude que considerámos desnecessariamente arrogante e pouco profissional.
Após a injeção, o meu namorado saiu do gabinete com uma receita e uma alta médica, sendo novamente deixado num corredor sem qualquer explicação adicional sobre o diagnóstico ou cuidados a seguir.
Perante a forma como tudo decorreu, a minha mãe apresentou uma reclamação na secretaria do hospital. Mais tarde, uma funcionária deslocou-se até junto do meu namorado para ouvir o relato dos acontecimentos e mostrou surpresa ao perceber que toda a avaliação médica se resumiu a uma observação rápida, uma injeção e uma alta imediata.
O que mais revolta não é apenas a falta de exames ou a rapidez da consulta. É a sensação de desvalorização, de falta de empatia e de respeito por alguém que entrou naquele hospital incapaz de andar pelos próprios meios e com dores intensas.
Edra Rodrigues