Iniciativa Liberal pede explicações sobre evento que custou 90 mil euros por cada hora
O deputado da Iniciativa Liberal, Gonçalo Maia Camelo, exigiu hoje maior transparência sobre os resultados do evento promocional realizado recentemente nos Estados Unidos da América, cujo custo ascendeu a 449.420 euros, mais IVA, valor que corresponde a cerca de 90 mil euros por cada hora de duração.
Numa declaração política apresentada na Assembleia Legislativa da Madeira, o parlamentar liberal recordou que a Iniciativa Liberal foi o primeiro partido a levantar dúvidas sobre esta despesa, sublinhando que nunca esteve em causa a importância da promoção turística externa da Região, mas sim a necessidade de justificar um investimento desta dimensão e avaliar o respectivo retorno.
"O jantar que era para não existir, afinal sempre existiu. E custou 449.420 euros mais IVA. Quase 90.000 euros por cada hora de duração", afirmou, classificando a iniciativa como um verdadeiro "brinde das Américas".
Gonçalo Maia Camelo questionou a oportunidade política da despesa, considerando que a Madeira atravessa desafios sociais e económicos que exigem outras prioridades. O deputado apontou como exemplo a situação dos idosos instalados em condições precárias em estruturas hospitalares, defendendo que o Governo Regional deveria concentrar esforços na resolução destes problemas.
"Considerando que o turismo continua a crescer, de forma quase espontânea, este investimento era prioritário? Não será mais prioritário encontrar alternativas ao despejo de idosos na cave de um hospital?", questionou.
O parlamentar levantou ainda dúvidas sobre a evolução dos custos associados a este tipo de iniciativas, lembrando que eventos semelhantes já foram realizados em anos anteriores, mas com encargos significativamente inferiores.
"Esta tendência é para manter? Para o ano vai custar ainda mais ou vai voltar ao custo dos anos anteriores?", interrogou.
Outro dos aspectos destacados pelo deputado prende-se com o financiamento da promoção turística regional. Gonçalo Maia Camelo defendeu que os operadores turísticos e hoteleiros, enquanto principais beneficiários da promoção do destino Madeira, deveriam assumir uma parcela mais significativa destes encargos, em vez de a actividade continuar a depender quase exclusivamente de verbas públicas.
No que respeita ao retorno efectivo do investimento, o deputado observou que Washington é a capital política dos Estados Unidos, mas não representa o principal centro económico nem turístico do país. Nesse sentido, considerou fundamental conhecer quem participou no evento e qual foi o perfil dos convidados.
"Importa perceber se foi efectivamente um evento promocional e comercial ou apenas um evento político, protocolar e diplomático", afirmou.
A Iniciativa Liberal reclama agora a divulgação pública dos resultados concretos da iniciativa, nomeadamente o número de destinatários alcançados, os ganhos para a visibilidade internacional do destino Madeira, o eventual aumento de reservas, viagens e estadias, bem como o impacto efectivo nas receitas turísticas.
Gonçalo Maia Camelo reiterou que o partido não se opõe ao investimento público quando este gera retorno económico, mas rejeita despesas realizadas sem avaliação rigorosa dos custos e benefícios.
"A Iniciativa Liberal não é contra o investimento público produtivo. É contra a despesa pública efectuada de forma precipitada, com pouca transparência e sem ponderação e avaliação do custo-benefício", declarou.
O deputado concluiu exigindo que o Governo Regional apresente dados concretos sobre os resultados alcançados, para afastar dúvidas sobre a utilidade da iniciativa.
"Tudo isto para que não fique a ideia — espero que injusta — que este evento foi apenas uma dispendiosa excursão turística, destinada a alimentar os egos e as vaidades de alguns", concluiu.