Liberal conservadorismo ou um espaço por ocupar
Há muito que a política portuguesa vive de extremos que se alimentam mutuamente. De um lado, uma esquerda que, em muitos temas, parece cada vez mais desligada das preocupações quotidianas de quem trabalha, paga impostos e procura apenas viver com tranquilidade. Do outro, um populismo de protesto que cresce à boleia do descontentamento, da revolta e da sensação de abandono que muitos portugueses sentem. Pelo meio, existe um espaço político enorme. Um espaço que continua praticamente por ocupar. O espaço do liberal-conservadorismo moderno.
Portugal mudou profundamente nas últimas décadas. Mudou a economia, mudou a sociedade, mudaram as prioridades das famílias. Mas o sistema partidário parece muitas vezes preso a debates do século passado, incapaz de responder aos desafios do presente. As pessoas querem um Estado eficiente, mas não um Estado omnipresente. Querem liberdade económica, mas também responsabilidade social. Querem crescimento, investimento e criação de riqueza, mas não à custa da destruição dos valores que sustentam uma comunidade. Querem segurança nas ruas, controlo da imigração e respeito pelas regras, sem cair em discursos de ódio ou em radicalismos que dividem a sociedade.
É precisamente aqui que surge a necessidade de uma nova força política. Alguém capaz de defender a iniciativa privada sem complexos, a meritocracia sem vergonha e a responsabilidade individual sem pedir desculpa por isso. Um partido que compreenda que a liberdade económica e a estabilidade social não são inimigas, pelo contrário, complementam-se. O crescimento do Chega não surgiu por acaso. Foi a consequência natural de anos de descontentamento acumulado, de problemas ignorados e de uma classe política demasiado concentrada em si própria. Muitos dos seus eleitores não votaram por extremismo. Votaram por cansaço. Votaram porque sentiram que ninguém os ouvia. Mas quando o centro deixa espaços vazios, os extremos apressam-se a ocupá-los.
É por isso que Portugal beneficiaria de uma alternativa liberal-conservadora séria, credível e reformista. Uma alternativa capaz de falar de imigração sem xenofobia, de segurança sem autoritarismo, de identidade nacional sem nacionalismos exacerbados e de economia sem dogmatismos. Uma força política que olhasse para o país real. Para os jovens que não conseguem comprar casa. Para os empresários sufocados por burocracia. Para os reformados que veem o custo de vida aumentar todos os meses. Para as famílias que sentem que trabalham mais e vivem pior. O país precisa de novas ideias, mas também de novas formas de as concretizar. Precisa de coragem para reformar a Justiça, modernizar a Administração Pública, valorizar as forças de segurança, reforçar a natalidade e criar condições para que os talentos portugueses não continuem a procurar no estrangeiro aquilo que não encontram em casa.
Mais do que um novo partido, talvez aquilo de que Portugal necessita seja uma nova atitude. Menos gritaria. Menos indignação permanente. Menos política de redes sociais. Uma política que una em vez de dividir. Porque quando os cidadãos deixam de acreditar que o sistema consegue resolver os seus problemas, abrem-se as portas à radicalização. E quando a radicalização entra pela porta, a moderação costuma sair pela janela. Talvez esteja na altura de alguém ocupar esse espaço vazio. Não para substituir a democracia, mas para a fortalecer. Não para alimentar a revolta, mas para lhe dar uma resposta. Não para dividir Portugal em blocos irreconciliáveis, mas para recordar que o futuro se constrói sempre ao centro da sociedade e nunca nas suas margens.
E, olhando para o estado atual do país, é difícil não concluir que esse espaço continua à espera de quem tenha coragem de o preencher.
Frases soltas:
E de repente, a decepção. Foi preciso apenas um empate para que todas as expectativas justamente colocadas na nossa Seleção Nacional de futebol redundassem em desilusão. Uma equipa desligada, sem vontade de partir para cima deles e ganhar na raça, um treinador sem ideias ou um CR7 sem a magia de outros tempos. Foram várias as criticas que sucederam a paupérrima exibição. Sem querer entrar em detalhes ou táticas lembro apenas que já fomos a finais e já vencemos depois de campanhas fracas nas fases de grupos. Se é verdade que nem tudo está bem, é hora de continuar a apoiar porque provavelmente este era o “descer à Terra” que estávamos a precisar.
A Universidade do Algarve decidiu colocar em prática a campanha “O Futuro começa no prato”, eliminando a carne de vaca da oferta alimentar do próximo ano letivo tentando assim chamar à atenção para o impacto ambiental da alimentação. Extremismos disfarçados de boas intenções, nada a que não estejamos já habituados. Seria mais sensato retirarem a carne do prato deles próprios e dar opção de escolha aos outros mas a ditadura assim não o permite. Depois, queixam-se...