“É preciso apoiar o teatro, a música e a dança, mas também estas artes tradicionais”
O director-geral das Artes, Américo Rodrigues, destacou que a principal novidade do programa Saber Fazer passa pela sua continuidade para além do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), através da integração formal na estrutura da Direcção-Geral das Artes.
Segundo explicou, o projecto deixa de ser uma iniciativa temporária financiada por fundos europeus para passar a constituir uma política pública permanente de apoio às artes e ofícios tradicionais.
“A grande novidade é que este programa vai poder continuar. Em vez de decorrer apenas por causa do PRR, foi integrado na própria lei orgânica da Direcção-Geral das Artes”, afirmou, em declarações aos jornalistas.
O responsável explicou que os artesãos e os projectos ligados aos saberes tradicionais passarão a poder candidatar-se aos mesmos mecanismos de financiamento já existentes para áreas como o teatro, a dança ou a música.
Américo Rodrigues destacou ainda que o programa não se limita ao apoio financeiro. Entre os resultados alcançados apontou o trabalho de mapeamento dos artesãos portugueses, a criação de um repositório digital com milhares de registos sobre técnicas, materiais e mestres artesãos, bem como o desenvolvimento de uma colecção nacional dedicada aos ofícios tradicionais.
O director-geral recordou também que a exposição apresentada no Centro Cultural e de Investigação do Funchal nasceu para representar Portugal numa bienal europeia realizada no Luxemburgo, onde registou uma forte adesão do público.
“O entusiasmo foi tão grande que decidimos transformá-la numa exposição itinerante”, revelou.
A mostra tem vindo a percorrer vários territórios portugueses e incorpora elementos característicos de cada região por onde passa. No caso da Madeira, foram acrescentados trabalhos de bordado, vimes e cordofones tradicionais.
Américo Rodrigues adiantou ainda que está em preparação uma publicação dedicada ao artesanato madeirense e destacou a construção da futura Rede Saber Fazer, que reúne artesãos, investigadores, entidades culturais e promotores numa estrutura de cooperação nacional. “É um trabalho inovador nas artes e ofícios tradicionais”, afirmou, defendendo que estas expressões culturais devem ser valorizadas ao mesmo nível das restantes disciplinas artísticas.
“É preciso apoiar o teatro, a música e a dança, mas também estas artes tradicionais”, concluiu