Madeira poderá antecipar meta de energias renováveis
Taboada diz que Região já atingiu 56% de penetração no primeiro trimestre deste ano
A Madeira poderá atingir antes de 2030 a meta de 55% de penetração de energias renováveis definida para esse ano. A convicção foi manifestada esta terça-feira por Francisco Taboada, presidente do Conselho de Administração da Empresa de Electricidade da Madeira (EEM), à margem do fórum europeu 'Garantir a Segurança Energética em Regiões Ultraperiféricas', que decorreu no Museu Casa da Luz.
Segundo o responsável, o primeiro trimestre de 2026 já registou uma taxa de penetração de energias renováveis de 56%, um valor que considera "muito positivo", apesar de reconhecer que os restantes meses do ano tendem a apresentar uma produção inferior.
Francisco Taboada destacou o investimento realizado pelo Governo Regional e pela EEM na última década, superior a 250 milhões de euros em energias renováveis, sublinhando que desde 2010 não foi efectuado qualquer investimento em novas centrais térmicas. Nos últimos cinco anos, acrescentou, a produção de energia renovável aumentou de 27% para 37%.
O gestor salientou ainda o contributo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que permitiu um investimento de cerca de 120 milhões de euros em três centrais hidroeléctricas, parques eólicos e solares. No caso do Porto Santo, prevê que a produção renovável passe dos actuais 12% para 70% ainda este ano, tornando a ilha "uma referência a nível europeu" no aproveitamento da energia eólica e solar.
Questionado sobre a pobreza energética, Francisco Taboada afirmou não dispor de dados específicos, mas recordou a existência da tarifa social da EEM, que concede um desconto de 33% às famílias mais carenciadas. Acrescentou ainda que, nos últimos seis anos, o aumento médio anual do preço da electricidade na Madeira foi de apenas 1%, valor que considera reduzido quando comparado com a inflação e com a evolução do custo de outros bens essenciais.
Apesar da forte aposta nas energias renováveis, o presidente da EEM defendeu que as centrais térmicas continuarão a ser indispensáveis para garantir o abastecimento quando não existirem recursos naturais suficientes e para assegurar a estabilidade da rede eléctrica, admitindo que um sistema assente exclusivamente em energias renováveis "vai ser extremamente difícil", embora o desenvolvimento das baterias possa aproximar esse objectivo.
As declarações foram prestadas à margem do fórum promovido pela AREAM, integrado no projecto europeu REMOTE, cuja sessão de abertura decorreu sem a presença do secretário regional dos Equipamentos e Infra-estruturas, Pedro Rodrigues, apesar de a sua intervenção constar do programa oficial.