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Jovem cabo-verdiana vende livros para financiar curso de empreendedorismo nos EUA

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Foto Instagram

A escritora cabo-verdiana de 13 anos Lauryn Rose Teixeira aproveitou hoje a 2.ª Feira Literária Internacional de Língua Portuguesa (Flilp) em Londres para angariar fundos para participar num programa nos Estados Unidos destinado a crianças empreendedoras. 

"Quero fazer mais contactos e amizades para poder desenvolver as minhas capacidades de negócio", disse à agência Lusa. 

O seu projeto é criar um 'site' onde possa promover livros em que as personagens são negras e bonecas de pele escura e cabelo 'afro' encaracolado, algo que nem sempre é fácil encontrar.

Um estudo da organização sem fins lucrativos Inclusive Books for Children publicado no ano passado revelou que, dos 2.721 livros analisados, apenas 51 (1,9%) tinham uma personagem principal negra. 

"Quero ajudar crianças a crescerem sentindo-se representadas", vincou. 

Nascida no Reino Unido, de mãe cabo-verdiana e pai são-tomense, Lauryn Rose Teixeira escreveu o livro "Lauryn - Esta sou eu" aos 9 anos, em 2022. 

No livro fala sobre as suas origens, cultura e história pessoal, nomeadamente do pai, que abandonou a família durante a pandemia de covid-19. 

O livro recebeu várias distinções nacionais e internacionais, entre elas um prémio de Inclusão e Diversidade da Assembleia Municipal de Londres, em maio, por "promover a narrativa inclusiva e desafiar os estereótipos sobre o cabelo afro e a identidade negra".

Este ano, recebeu uma bolsa para participar no Prodigy Camp, um programa internacional para jovens dos 13 aos 18 anos, dedicado ao empreendedorismo, liderança e inovação juvenil, que vai decorrer entre 26 e 29 de agosto em Seattle, nos Estados Unidos. 

No entanto, o financiamento é insuficiente para cobrir todas as despesas e a viagem e o alojamento da mãe e do irmão. 

"Com tudo que está a acontecer no mundo, prefiro ir acompanhada pela minha mãe", explicou, razão pela qual decidiu participar na feira, onde vendeu o seu livro editado em português, inglês, espanhol e francês. 

A jovem adolescente foi um dos quase 50 autores presentes na feira, realizada na Universidade Goldsmiths, em New Cross, sul de Londres, onde estiveram representados géneros como literatura infantil, contos, crónicas, romances e livros de autoajuda. 

O tema desta segunda edição, "Saudade e Nostalgia", reflete o facto de a comunidade lusófona "sentir falta de falar e consumir português enquanto imigrantes", disse a organizadora, Angélica Massoca.

Na feira estavam autores portugueses como Teresa Dangerfield e Soraia Mendes, os angolanos Henrique Sungo, Beni Dya Mbaxi e brasileiras como Tifanny Vilela, Carolina Brito, Larissa Silva ou Jessika Rabello. 

A autora Cristina Saressalo, que esteve presente no evento pela primeira vez, destacou o facto de a maioria dos participantes serem mulheres. 

"Cada livro tem um tema multifacetado e histórias de vida diferentes que mostram como elas enfrentam traumas e resolvem problemas", comentou.