Único armador português nos 100 maiores do mundo investe na descarbonização
No quarto painel do segundo dia da Grande Conferência do Mar, organizada pelo Jornal Economia do Mar e que decorre esta tarde no Funchal, Duarte Rodrigues, administrador do Grupo Sousa, apresentou a trajectória de uma empresa que, em 16 anos, cresceu de 2 para 9 navios e se tornou o único armador português na lista dos 100 maiores da AlphaLiner.
Para além da dimensão empresarial, Rodrigues quis evidenciar o papel do shipping na economia nacional. O Grupo Sousa tem 1.300 colaboradores, mil deles em funções de shipping e área portuária. "Se não houver armadores nacionais, coarcta-se trabalho qualificado", alertou.
O crescimento do grupo tem sido deliberado e focado em mercados de proximidade onde existem vantagens competitivas. Primeiro na Madeira, depois no Açores e mais tarde em Cabo Verde e Guiné-Bissau. Neste último mercado, operava já o gigante Maersk, que acabou por se retirar e estabeleceu uma parceria com o Grupo Sousa para o transporte da sua carga. O Grupo Sousa opera também no transporte de gás natural em pipelines virtuais, "algo que só faz sentido em mercados desta natureza".
Quanto à descarbonização, Duarte Rodrigues revelou que o grupo investiu 20 milhões de euros na modernização ambiental da sua frota, com introdução de biocombustíveis, ligação dos navios a energia de terra e soluções de inteligência artificial da empresa Tecnoveritas. Só no caso do 'Lobo Marinho', a ligação a fornecimento de energia por terra no porto do Funchal, em funcionamento desde Outubro, permitiu reduzir 3.200 toneladas de CO₂ por ano.
O administrador identificou dois horizontes de desafio para o sector. A curto prazo, a adopção de medidas concretas de descarbonização da frota. A médio e longo prazos, a incerteza sobre o combustível do futuro, que poderá ser metanol, nuclear, amónia ou outro. Sem que haja ainda uma resposta clara, as empresas do sector não sabem em que devem investir.
O painel foi moderado por Gonçalo Magalhães Collaço e contou ainda com intervenções de André Duro, coordenador de operações marítimas da Euromar, e de Marina Pimenta, vice-presidente da Sociedade de Desenvolvimento da Madeira (SDM).