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Madeira

Salvador Malheiro: "Vejo no mar um caminho para a construção de paz"

Foto Helder Santos/Aspress
Foto Helder Santos/Aspress

O secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, defendeu, esta tarde, a liderança de Portugal na agenda dos oceanos e colocou a governação oceânica sustentável ao serviço da paz num momento de crescente tensão geopolítica global. A intervenção vídeo, gravada em Moçambique, onde o governante se encontra, foi transmitida esta tarde, no encerramento da Grande Conferência do Mar, organizada pelo Jornal Economia do Mar no Funchal.

Malheiro começou por afirmar que "a grandiosidade do mar português assenta na união do nosso território - continente, Açores e Madeira", enquadrando o papel de Portugal enquanto Estado atlântico numa visão abrangente, que cruza conservação, ordenamento, economia, inovação, conhecimento científico, envolvimento social, segurança e soberania. "Não há um que avance às custas da redução do outro", sublinhou, justificando, assim, a diversidade temática dos dois dias de conferência.

O governante evocou a História para inspirar o presente: "Há séculos foram os portugueses que uniram os povos a partir do mar. Isto deve servir para nos inspirar e para prosseguir esse caminho, não só de memória, mas também e sobretudo lutando para assumir esse papel liderante".

Salvador Malheiro enumerou um conjunto de iniciativas que, no seu entender, posicionam Portugal como referência internacional na agenda dos oceanos. O país integra o bloco de nações que defende uma relação directa entre oceano e clima, pugnando por uma maior introdução de soluções baseadas no mar para combater as alterações climáticas. Está também a liderar uma força de trabalho dedicada a estudar e quantificar a capacidade de absorção de dióxido de carbono a partir do mar.

No plano educativo, Portugal foi o primeiro país a introduzir temas de consciência marítima nos currículos escolares. E foi igualmente pioneiro na criação de um instrumento para medir o peso da economia azul na economia nacional, que é a chamada conta satélite do mar.

O secretário de Estado destacou ainda a recente eleição de Portugal como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, "suplantando grandes países como a Alemanha", no que constitui uma prova do reconhecimento internacional do país enquanto nação marítima.

Num contexto de agudização das tensões geopolíticas, Malheiro deixou uma mensagem de fundo: "Vejo no mar e na governação oceânica sustentável um caminho para a construção de paz". E terminou com um apelo a todos os "amigos do mar": "Tratar o mar com respeito, protegendo-o, tirando partido dele e evidenciando-o".

A Grande Conferência do Mar decorreu durante dois dias no Funchal, organizada pelo Jornal Economia do Mar, e reuniu painéis dedicados a diversas áreas da economia azul, transportes marítimos, pescas e política oceânica. Pelo menos um outro interveniente, James Morrison, da Direcção-Geral da Investigação e da Inovação da Comissão Europeia, enviou uma intervenção vídeo gravada para este evento.