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Espanha declara que integridade de Schengen "está absolutamente garantida"

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O ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha declarou hoje que a integridade do Espaço Schengen "está absolutamente garantida", após a maioria dos migrantes que entraram ilegalmente no enclave espanhol de Ceuta terem regressado a Marrocos.

Numa mensagem publicada na rede social X, José Manuel Albares argumentou também que "não é possível viajar de Ceuta e Melilla para a Península Ibérica sem identificação" num posto de controlo policial.

"Basta desta confusão deliberada", acrescentou o chefe da diplomacia de Madrid, no seguimento da entrada de milhares de migrantes ilegais em Ceuta nos últimos dias, que levou a Itália a suspender o acordo de livre circulação europeu com Espanha.

O ministro espanhol confirmou ainda que "praticamente todos" os migrantes que entraram ilegalmente em Ceuta "já regressaram a Marrocos".

De acordo com a última atualização do Governo, 48.300 migrantes tinham regressado ao país do norte de África a partir de Ceuta até às 18:00 (17:00 em Lisboa) de hoje.

O comissário europeu para os Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner, confirmou hoje que "nenhuma pessoa" que tenha atravessado a fronteira de Marrocos para Ceuta nos últimos dias entrou na Europa continental, após uma conversa telefónica com José Manuel Albares.

"Nenhuma pessoa atravessou para o território continental da União Europeia. Manteremos um contacto próximo e estamos em comunicação com ministros de toda a Europa", afirmou numa breve mensagem publicada nas redes sociais.

A Comissão Europeia alertou também que a reposição por um Estado-membro de controlos fronteiriços com outro país do Espaço Schengen deve ser justificada às instituições europeias. 

"O regulamento estipula que os Estados-membros podem, excecionalmente e temporariamente, restabelecer os controlos nas fronteiras internas como último recurso para fazer face a ameaças graves à ordem pública ou à segurança nacional", e quando tal ameaça for "imprevisível e exigir uma ação imediata", afirmou à agência espanhola EFE um porta-voz da Comissão. 

Contudo, a mesma fonte sublinhou que o Estado-membro em questão --- neste caso, a Itália --- deve comunicar a sua decisão "à Comissão, ao Conselho, ao Parlamento e aos outros Estados-membros, e explicar em que medida a situação em Ceuta constitui uma ameaça grave à sua ordem pública ou à sua segurança interna". 

Por outro lado, também é possível restabelecer os controlos nas fronteiras marítimas internas, embora, de acordo com o Código de Fronteiras Schengen, "as regras especiais aplicáveis a Ceuta e Melilla permaneçam em vigor, o que significa que existem controlos" entre estes dois territórios espanhóis e o resto do Espaço Schengen. 

O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, alegou na rede social X que "a suspensão temporária com Espanha do Espaço Schengen" é uma medida "prevista nos tratados e que se tornou agora inevitável".

 O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, rejeitou hoje a suspensão das regras do Espaço Schengen na sequência da crise migratória em Ceuta, defendendo um reforço da vigilância nas fronteiras marítima e terrestre do sul de Portugal.

Segundo o presidente do governo autónomo de Ceuta, 60 mil pessoas entraram na cidade espanhola de forma irregular desde quinta-feira e estavam confirmadas 57 mortes durante a crise. 

A cidade vive "uma situação insustentável", disse hoje de manhã Juan Jesus Vivas, que lembrou que Ceuta tem uma população de 83 mil pessoas.