Paquistão declara alcançado "texto final" de acordo de paz Irão-EUA
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, anunciou hoje que foi alcançado um "texto final e consensual" para um acordo de paz entre o Irão e os Estados Unidos.
"Podemos confirmar que foi alcançado um texto final e consensual para o acordo de paz e que o Paquistão está a trabalhar em estreita colaboração com ambas as partes para concretizar os próximos passos", declarou Sharif na rede social X.
"A paz nunca esteve tão próxima como agora", acrescentou o chefe do Governo paquistanês.
O anúncio foi feito pouco mais de uma hora depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, ter afirmado, também na rede social X, que estava iminente um "memorando de entendimento" com os Estados Unidos, acrescentando que os pormenores seriam partilhados "no momento oportuno".
Também hoje, o vice-presidente norte-americano, JD Vance, tinha dito que a assinatura de um acordo de paz poderia acontecer este fim de semana na Europa.
Vance acrescentou que os termos daquilo que o Irão define como um "memorando de entendimento" têm "o potencial de transformar a região e conduzir a uma paz duradoura".
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação à ofensiva, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz, abalando a economia mundial, e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.
O Paquistão posicionou-se como um mediador fundamental no conflito que alastrou ao Médio Oriente, negociando com êxito um cessar-fogo de duas semanas entre Teerão e Washington a 08 de abril, depois várias vezes prorrogado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.
O objetivo era prosseguir as conversações indiretas, mediadas por Islamabad, para alcançar o levantamento das sanções internacionais ao Irão e a retirada das tropas norte-americanas da região em troca de um compromisso iraniano de não produzir armas nucleares e garantir a passagem segura pelo Estreito de Ormuz.
Por agora, Teerão mantém o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do crude mundial, e Washington, por sua vez, impede a passagem de navios que tenham como origem ou destino portos iranianos.