"Estamos juntos na autonomia e na Europa"
Leitão Amaro sublinha 50 anos de descentralização e integração europeia
"A autonomia é uma obra permanentemente inacabada", afirmou esta sexta-feira o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, na cerimónia comemorativa dos 50 anos da Autonomia da Região Autónoma da Madeira e dos 40 anos da adesão de Portugal à União Europeia, sublinhando o percurso autonómico como parte estruturante do país.
Perante madeirenses e porto-santenses, o governante evocou "a arte de fazer do obstáculo, caminho", lembrando que "há 50 anos Portugal tomou uma decisão madura", ao reconhecer "interesses e governo próprio às regiões insulares".
Leitão Amaro afirmou que "a Autonomia da Madeira e do Porto Santo, como a dos Açores, já era antes de o ser", defendendo que "decide-se melhor perto de quem a decisão afecta" e que "proximidade, responsabilidade e liberdade é esta a matéria que a Autonomia é feita".
Reconhecendo que "há naturais e saudáveis divergências", o ministro sublinhou que "a quem temeu que a Autonomia fosse uma porta para a separação, a autonomia nestes 50 anos provou o contrário", acrescentando que "o resultado está à vista de todos".
Destacou ainda que a Madeira "é das regiões portuguesas com maior riqueza gerada por habitante", concluindo que "estes 50 anos foram muito positivos para a Madeira e por isso foram muito bons para Portugal", defendendo uma "autonomia ao serviço do bem comum".
O ministro deixou elogios a todos os presidentes do Governo Regional e afirmou que "a Autonomia tem duas faces. Uma delas é decidir o que é seu. A outra é contar com todos", acrescentando que "ser autónomo é também ser parte, é pertencer a um todo" e que "a autonomia em unidade resolve as diferenças".
Em nome do Governo da República, garantiu que "o vosso Governo da República não esquece e não falta a essa responsabilidade perante vós", destacando a aprovação, na véspera, da comissão para a revisão da Lei das Finanças Regionais.
Defendeu ainda que "tudo faremos que a Europa também não esqueça" o estatuto das regiões ultraperiféricas, sublinhando que "não subsistam dúvidas que o todo nacional beneficia, e muito, das suas regiões insulares".
Na parte final da intervenção, evocou figuras madeirenses como Cristiano Ronaldo e José Tolentino de Mendonça, afirmando que "um e outro saíram desta ilha, do mesmo chão, modesto mas rico", e lembrou outros nomes marcantes da história regional.
"Faz sentido celebrar ao mesmo tempo a Autonomia e a Europa", disse, acrescentando que "motivado pelas vitórias do passado, nunca cesse a vontade de conquistar o que ainda falta". A intervenção terminou com a garantia de que "estamos juntos".