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Leão XIV pede justiça e reparação para vítimas de abusos

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FOTO J.J. GUILLEN ; POOL/EPA

O Papa defendeu hoje que a Igreja Católica tem de responder com justiça e reparação às vítimas de abusos sexuais por parte do clero e que é preciso mais trabalho, prevenção e "cultura de cuidado".

Leão XIV, que está a fazer uma viagem a Espanha, falava em Madrid, na sede da Conferência Episcopal Espanhola, num encontro com bispos.

O Papa disse que um dos encontros "mais dolorosos" que tem na agenda desta viagem é com vítimas de abusos sexuais no seio da Igreja Católica em Espanha, "por quem as deviam cuidar, incluindo por membros do clero".

"Perante esta praga, a comunidade eclesiástica está chamada a responder com a escuta, a verdade, a justiça e reparação e um compromisso cada vez mais decidido com a prevenção e a cultura do cuidado", disse Leão XIV aos bispos espanhóis.

O Papa já tinha dito no sábad, dia em que iniciou a viagem a Espanha, que os abusos sexuais "são uma chaga ainda aberta" e que vai continuar a trabalhar pessoalmente, assim como toda a Igreja, neste problema.

"Sublinho o facto de que eu pessoalmente trabalhei sempre para instituir comissões, para fazer regras e continuarei a fazê-lo, também toda a Igreja, porque é uma chaga ainda aberta", disse Leão XIV, citado por jornalistas que viajaram com o Papa no avião que o levou de Roma a Madrid.

No domingo, associações de vítimas de abusos sexuais na Igreja Católica em Espanha lamentaram a exclusão de encontros com o Papa durante a visita ao país de vários grupos que representam estas pessoas.

"Sobreviventes dos abusos sexuais na Igreja pedem ao Papa Leão XIV uma escuta verdadeiramente inclusiva", disseram oito associações, num comunicado.

As associações sublinharam "a falta de representatividade e de pluralidade nos encontros previstos com o Papa".

"A opinião pública pode interpretar erradamente que o conjunto das vítimas se sente satisfeito com a celebração destes encontros. No entanto, existem diversas sensibilidades e numerosos grupos que não foram levados em conta. A exclusão de associações representativas e de sobreviventes que trabalham há anos pela verdade, a justiça e a reparação só contribui para aumentar o sentimento de abandono", lê-se no comunicado.

O Governo de Espanha e a Igreja Católica, através da Conferência Episcopal Espanhola (CEE), anunciaram em 08 de janeiro um acordo para a reparação de centenas de vítimas de abusos sexuais cujos casos já não podem ter resposta judicial.

Ao abrigo deste acordo, será a Igreja a assumir essa reparação.

Em causa estão indemnizações económicas ou outro tipo de reparações simbólicas de vítimas de crimes sexuais no âmbito da Igreja católica em Espanha cujos casos são processados e analisados através de uma estrutura da Provedoria de Justiça.

As associações que divulgaram um comunicado no domingo sublinharam que trabalharam também com a Provedoria de Justiça nos últimos anos, mas nem todas as vítimas estão reconhecidas no acordo assinado entre Governo e Igreja ou o apoiam.

"O nosso apelo não procura enfrentar umas vítimas com outras. Todas merecem respeito e consideração. O que pedimos é que nenhuma pessoa sobrevivente fique relegada à invisibilidade e que o compromisso com a verdade, a justiça, a reparação e as garantias de não repetição alcancem todos os afetados, sem exclusões", sublinham.