Crianças portuguesas passam em média 38 horas por semana na escola
As crianças portuguesas passam, em média, 38 horas por semana em estabelecimentos de ensino, segundo dados da base de dados estatísticos Pordata divulgados hoje que colocam Portugal entre os países onde a escola ocupa mais tempo.
Ao longo dos cinco dias úteis da semana, a partir dos três anos as crianças passam quase um terço de todo o seu tempo na creche, em infantários ou na escola. São, em média, 38 horas semanais, segundo o retrato da base de dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos divulgado a propósito do Dia Mundial da Criança, que se assinala hoje.
Os dados compilados pela Pordata, com base em estatísticas do Eurostat referentes a 2025, revelam que Portugal é um dos países da União Europeia (UE) onde as crianças passam mais tempo na escola.
Olhando para os alunos entre o 1.º ano de escolaridade e os 12 anos de idade, o país ultrapassa mesmo todos os restantes estados-membros, mas é entre os três e os seis anos de idade que as crianças passam mais tempo na creche (38,3 horas), atrás da Hungria (44,3), Letónia (40,7) e Lituânia (39,0).
Até aos três anos de idade, o número é ligeiramente mais baixo (36,7 horas), mas mantém-se acima da média europeia, que ronda as 30,5 horas.
No contexto europeu, as realidades são díspares e há países onde, mesmo depois de iniciarem a escolaridade obrigatória, os alunos não passam mais de 30 horas semanais na escola, em particular a Alemanha, a Irlanda e os Países Baixos.
Com mais de 1,5 milhões de crianças residentes, Portugal destaca-se também pela cobertura de respostas formais de educação, surgindo acima da média europeia para todas as faixas etárias.
Em 2025, quase 58% das crianças até aos três anos estavam abrangidas por algum tipo de educação formal, em creches, infantários ou amas certificadas (a média da UE é 40,5%) e, em 2024, a esmagadora maioria das crianças a partir dos três anos frequentava o pré-escolar (94,5%).
O retrato da Pordata descreve também a evolução da população infantil em Portugal, os contextos socioeconómicos e familiares ao longo das últimas décadas.
Em 50 anos, Portugal passou de segundo país da UE com mais crianças para quarto, entre os 22 estados-membros com dados disponíveis, com menos menores de 12 anos, registando uma queda de 22% para 9,8% entre 1975 e 2025.
Quase todos os municípios portugueses têm hoje menos crianças do que em 1991 e as exceções são apenas quatro: Aljezur, Lisboa, Montijo e Vila Velha de Ródão. Por outro lado, três municípios da Região Autónoma da Madeira registaram a maior quebra, em concreto, Câmara de Lobos, Ribeira Grande e Porto Moniz.
Em perto de 800 mil agregados familiares, sete em cada 10 crianças vivem com um casal e duas em cada 10 vivem em famílias com mais de dois adultos. A minoria são as famílias monoparentais: cerca de 11%.
À semelhança dos restantes países europeus, o nível de escolaridade dos pais continua a estar associado ao risco de pobreza ou exclusão social das crianças, mas Portugal é, ainda assim, um dos estados-membros onde essa disparidade é menos acentuada.
Com menos crianças em famílias em risco de pobreza face a 2015 (menos 103 mil), Portugal integra o grupo de sete países onde as taxas de risco de pobreza ou exclusão social das crianças com menos de 12 anos são das mais baixas, para qualquer dos níveis de escolaridade dos pais.