Trump insiste que "quer o papa goste ou não" o Irão não pode ter arma nuclear
O Presidente norte-americano, Donald Trump, voltou hoje a acusar o papa Leão XIV de querer que o Irão tenha arma nuclear e insistiu que tal não pode acontecer, na véspera da visita do seu secretário de Estado ao Vaticano.
"No que diz respeito ao Papa, é muito simples: quer ele goste ou não, o Irão não pode possuir uma arma nuclear. Ele pareceu sugerir que pode, e eu digo que não pode, porque se isso acontecesse, o mundo inteiro seria feito refém, e não vamos permitir que isso aconteça", frisou o governante quando questionado pelos jornalistas na Sala Oval.
Trump repetiu estas acusações um dia antes da chegada de Rubio a Roma, visita na qual se espera que procure restabelecer as relações com o papa e a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, após divergências sobre as suas posições em relação à guerra contra o Irão.
Leão XIV, o primeiro papa norte-americano da história, considerou inaceitável a ameaça do Presidente norte-americano de destruir "uma civilização inteira" na sua guerra contra o Irão.
O republicano respondeu chamando-lhe fraco e "péssimo na política externa".
Trump partilhou ainda nas suas redes sociais uma imagem gerada por inteligência artificial na qual se retratava como Jesus Cristo, o que indignou alguns membros da comunidade católica.
Uma semana depois, Leão XIV pôs fim à questão, afirmando que não teme a administração Trump e não tem interesse em debater com o Presidente.
No entanto, Trump voltou a atacar o Papa esta semana, depois de a viagem de Rubio ao Vaticano já ter sido oficialmente anunciada, acusando-o de "colocar muitos católicos em perigo" porque "acha que é aceitável o Irão ter uma arma nuclear".
Numa conferência de imprensa realizada na terça-feira na Casa Branca, Rubio negou que a viagem a Itália tenha sido motivada por este conflito e revelou que deseja discutir com o papa questões como a distribuição de ajuda humanitária em Cuba, dado que o Vaticano é mediador entre Washington e Havana há anos, e a liberdade de culto em África.
Já hoje o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, afirmou que os Estados Unidos continuam a ser um interlocutor essencial para a Santa Sé.
"Não emito juízos sobre os ataques [ao Papa] feitos pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, mas os Estados Unidos são e continuam a ser um interlocutor essencial para a Santa Sé", declarou Pietro Parolin, em declarações à imprensa, antes de se reunir com Rubio.
Na sua audiência geral, Leão XIV afirmou hoje que a Igreja Católica tem a missão de "pronunciar palavras claras para rejeitar tudo o que mortifica a vida e impede o seu desenvolvimento, e de tomar posição em favor dos pobres, dos explorados, das vítimas da violência e da guerra", bem como "denunciar o mal em todas as suas formas e proclamar a paz".