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Guerra no Irão Mundo

Trump diz que hostilidades cessaram para evitar autorização parlamentar

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Foto EPA/JIM LO SCALZO / POOL

A Casa Branca declarou hoje ao Congresso que as hostilidades com o Irão terminaram, de forma a contornar o prazo legal que obrigaria o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a obter autorização parlamentar para manter a guerra.

Segundo a Associated Press (AP), Donald Trump enviou uma carta ao líder da Câmara dos Representantes e ao presidente do Senado sustentando que o conflito iniciado em 28 de fevereiro "cessou", apesar das forças armadas norte-americanas manterem uma presença significativa na região e de o bloqueio naval ao petróleo iraniano continuar em vigor.

Donald Trump advertiu que a ameaça iraniana "permanece significativa" e rejeitou hoje, assim que foi divulgada, a última proposta daquele país para acabar com a guerra.

A declaração surge no dia em que terminava o prazo de 60 dias previsto na Resolução dos Poderes de Guerra de 1973, que obriga o Presidente dos Estados Unidos a obter autorização do Congresso para prosseguir operações militares, salvo pedido de extensão por mais 30 dias.

A administração norte-americana sustenta que o prazo deixou de se aplicar com a entrada em vigor de um cessar-fogo no início de abril, argumento contestado por democratas e por alguns republicanos.

O secretário da Defesa, Pete Hegseth, afirmou, numa audição no Congresso, que o cessar-fogo significa que "o relógio dos 60 dias pausa ou para".

A interpretação foi rejeitada pelo senador democrata Tim Kaine, que considerou não existir base legal para essa leitura, enquanto o senador Adam Schiff argumentou que a manutenção de meios militares norte-americanos na região demonstra a continuação das operações.

Apesar das críticas, a maioria republicana recusou avançar com qualquer votação sobre autorização do uso da força antes do prazo expirar.

A senadora do Alasca, Lisa Murkowski, anunciou que apresentará uma proposta limitada de autorização militar caso a administração não apresente um "plano credível", defendendo que o Congresso tem "um papel" na supervisão da guerra.

O Irão apresentou, na quinta-feira, uma nova proposta para retomar as negociações com os Estados Unidos, atualmente num impasse, com o objetivo de pôr fim à guerra.

Israel e Estados Unidos lançaram, em 28 de fevereiro, um ataque conjunto ao Irão, que destruiu grande parte da capacidade militar e da indústria de fabrico de mísseis e 'drones' de Teerão.

A República Islâmica respondeu ao ataque, justificado com a ameaça nuclear iraniana, disparando mísseis e 'drones' contra os países vizinhos, sobretudo a indústria de petróleo e gás destes, e bloqueando o Estreito de Ormuz, o que levou a uma escalada dos preços dos combustíveis, fortemente penalizadora de países importadores como a Alemanha.

Depois de Washington ter prorrogado o cessar-fogo acordado em 08 de abril, o impasse diplomático entre os Estados Unidos e o Irão tem vindo a arrastar-se, com a falta da confirmação de uma segunda reunião presencial para tentar chegar a um acordo de paz, após o primeiro encontro na capital paquistanesa, Islamabad.