Trump admite mais duas ou três semanas de guerra sem preocupações de tempo
O Presidente norte-americano admitiu que a guerra com o Irão poderá prolongar-se ainda por duas ou três semanas e descartou que o tempo seja um "fator crucial" para os interesses de Washington.
"De uma forma ou de outra, ganhamos", afirmou Donald Trump durante uma entrevista à ABC News divulgada hoje, citada pela agência de notícias espanhola Europa Press (EP).
Trump disse que ou os Estados Unidos fecham um acordo com o Irão ou ganham a guerra "com muita facilidade".
"Do ponto de vista militar, já ganhámos", reafirmou.
"Já me ouviram dizer isto um milhão de vezes", reconheceu o Presidente dos Estados Unidos, que ordenou os ataques ao Irão em 28 de fevereiro, numa operação conjunta com Israel.
Trump evitou pronunciar-se sobre se os ataques do Irão contra os Emirados Árabes Unidos na segunda-feira representaram uma violação das tréguas em vigor desde 08 de abril.
"Veremos o que acontece", afirmou, depois de ter minimizado na segunda-feira os ataques contra um campo petrolífero no leste do país do golfo Pérsico, ao afirmar que "não houve danos importantes".
Trump também minimizou a importância da possível duração da guerra, argumentando que existe uma grande aceitação por parte do público norte-americano em relação ao conflito, ao contrário do que indicam as sondagens.
"O tempo não é um fator crucial para nós", assegurou.
Trump disse que os Estados Unidos controlam o estreito de Ormuz desde o lançamento na segunda-feira de uma operação militar para facilitar a passagem dos navios retidos no golfo Pérsico, embora o Irão afirme o contrário.
Relativamente às reservas de urânio do Irão, principal argumento esgrimido pelos Estados Unidos e por Israel para lançar a nova ofensiva, Trump minimizou a respetiva importância e alcance devido aos bombardeamentos lançados em junho.
"Provavelmente, [as reservas de urânio] não podem ser usadas", afirmou.
Trump admitiu que gostava de capturar o urânio em posse do Irão para evitar que as autoridades iranianas "caiam na tentação" de insistir nas aspirações nucleares.
Os Estados Unidos e aliados ocidentais acusam o Irão de pretender dotar-se de armas nucleares, enquanto Teerão defende ter o direito de usar a tecnologia para fins civis.
A guerra no Médio Oriente desencadeada pela operação israelo-americana já causou milhares de mortos, maioritariamente no Irão e no Líbano.
Teerão respondeu com ataques contra países da região e o bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passa um quinto dos produtos petrolíferos dos países do golfo Pérsico para os mercados internacionais.
A crise fez disparar os preços do petróleo e recear uma crise económica global, com repercussões a todos os níveis, incluindo a alimentação, com alertas da ONU para o agravamento de situações de fome em países mais vulneráveis.
Washington e Teerão têm em vigor um cessar-fogo desde 08 de abril para tentar negociar o fim do conflito, mas as primeiras conversações em Islamabad foram infrutíferas e uma segunda ronda não chegou a realizar-se.
Na sequência do falhanço das negociações na capital do Paquistão, Trump decretou em 13 de abril um bloqueio naval aos portos e navios iranianos.