Manual de Boas Práticas para prevenção e gestão de espécies invasoras dá dicas importantes
A SPEA-BirdLife lançou um Manual de Boas Práticas para prevenção e gestão de espécies invasoras na Madeira. O objectivo passa por apoiar a comunidade, sejam madeirenses ou turistas, a tomar decisões informadas consistentes e eficazes na conservação da natureza. As indicações são deixadas nas mais diversas áreas.
No documento fica patente que, apesar do elevado estatuto de protecção a biodiversidade do arquipélago enfrenta múltiplas pressões de origem humana. Falamos de problemas como predadores mamíferos introduzidos, poluição luminosa, lixo e resíduos, perturbação humana em áreas sensíveis e ainda alterações do uso do solo e do mar.
Entre os princípios orientadores do manual encontra-se a responsabilidade partilhada, mas também as soluções simples e práticas, a aprendizagem contínua, respeito pela natureza e pelas pessoas e orgulho no património natural.
“Estimam-se que existam, no arquipélago da Madeira e Selvagens, cerca de 7.571 organismos terrestes, sendo que 1.419 destes são endémicos, o que representa quase 20% da diversidade total”, aponta o documento.
Os mamíferos introduzidos são uma das principais ameaças à biodiversidade insular. Em causa estão espécies como o murganho, ratazana-preta, ratazana-castanha, furão e gato. Através da predação intensiva de aves, ovos e crias, motivam o abandono de colónias, à redução acentuada do sucessor reprodutor de populações naturais e ao declínio populacional progressivo.
Já as plantas invasoras competem por luz, água e nutrientes, alteram a composição do solo, aumentam o risco de incêndio e reduzem as áreas adequadas para reprodução das espécies nativas.
Quanto aos insectos e invertebrados, são predadores sobre espécies nativas, competem por recursos, transmitem doenças e alteram processos de decomposição e fertilidade do solo.
Mas há outras ameadas, neste caso, antropogénicas. Estamos a falar da poluição luminosa, lixo marinho e terrestre, perturbação humana, sobrepesca e alterações climáticas.
Olhamos então as boas práticas direccionadas por grupos de utilizadores.
Tutores de animais de companhia
- Uso de trela, evitando comportamentos predatórios
- Esterilização para prevenir populações errantes
- Não abandonar animais
- Recolher dejectos
Agricultores
- Manter espécies nativas
- Armazenamento em contentores fechados
– Uso responsável de fármacos
- Implementar cercas adequadas
- Colaborar na monitorização
Escolas
-Desenvolver atividades relacionadas com biodiversidade e espécies invasoras
- Organizar saídas de campo responsáveis
- Promover ciência-cidadã
- Participar em programas de educação ambiental
Visitantes
- Utilizar trilhos marcados
- Evitar ruído e perturbação
- Levar sempre o lixo de volta
Pescadores
- Evitar largar anzóis expostos
- Não descartar material orgânico
- Recolher redes abandonadas
- Comunicar capturas acidentais
Operadores turísticos
- Porta-voz ambiental
- Guias capacitados
- Coordenar horários com entidades gestoras
- Respeitar os trilhos
- Reportar ocorrências e espécies invasoras
Residentes e comunidades locais
- Manter lixo nos locais adequados
- Não deixar restos de comida
- Não alimentar fauna
- Participar em acções locais de voluntariado